Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

terça-feira, 18 de setembro de 2007

RECONSTRUINDO CAMINHOS




Há algo em construção a caminho!

Um quê de saudade me diz que a mesma ponte que conduziu os seus passos àquela estação, traz de volta hoje, pelas janelas da alma, lembranças e afetos que ficaram em “stand by” por um longo tempo.

Tempo, tempo, tempo... Por que retornas sorrateiro e covardemente da tua laje fria, trazendo à vida os teus cadáveres insepultos?

Que queres, tu, de mim? Não te foi suficiente os meus anos de solidão e o enterro das minhas quimeras? Que mais queres? Tudo entreguei junto com a minha juventude e os meus sonhos. 
A velha chama - resquício de um amor que ainda arde em mim, conta a história de um amor que teve início e parece não ter fim, agonizando vez ou outra em processos de partidas, para retornar sempre de assalto e dizer simplesmente: “Abre a tranca da janela, por favor, que o pior da tempestade já passou”.

Não! Não passou.
Hoje, tal e qual um redemoinho, ela invade e desarruma, desestruturando bases sólidas de um caminho construído sobre pontes que falam de amor, de saudade e de dor.
E agora tempo, o que fazer com as palavras soletradas em silêncio? Elas dizem que tudo é nada sem você.

Há algo em construção a caminho!
Sou eu, ainda e sempre, indo em sua direção, brigando com o “tempo que adormece as paixões” e construindo saudades que me levam de volta a você.

Um comentário:

Rolando Palma disse...

Julieta...é claro que isto não é um comentário... mas tampouco uma despedida. As palavras ( aqui, num blog, numa carta, ditas ) serão sempre insuficientes para (re)construir o caminho, eu sei.

Às vezes, alguém diz: Os amigos... para isso servem os amigos...

Pois... não é certo, nem verdadeiro. Os amigos ( reais ou virtuais, mas amigos do peito ) sofrem, é certo... mas a dor maior é de quem sente. E por mais que se suavizem as palavras, em metamorfoses literárias... chega um tempo em que a tristeza escorre e encharca as folhas de papel. Os amigos então dirão: " Estamos aqui, estamos aqui..."

Mas quem sente... não é dessa presença que precisa, não é aos amigos que se reza, ou implora na calada da noite, ou se fazem vâs promessas a todos os deuses desconhecidos.

Julieta... entristece-me pensar que o que transbordas dos olhos não seja suficiente para inundar aquele que desejas. Muitas vezes... o que pensamos ser cálices, são meros pratos rasos, sem capacidade para conter nada, absolutamente nada.

Sempre tentei seguir aquela máxima de " vai onde te leva o coração "... e tambem já tive a minha dose de deserto sem oásis, de planta ressequida, de "avião sem asa", como diz a canção.

Nada do que eu diga, ou escreva, altera isto. Nada do que eu aqui coloque te fará um pouco mais feliz. Mas apesar disso... a vida é simplesmente o tal conjunto de memórias, de lembranças que persistem nos outros... e como tal, com ou sem blog... Desejo e faço força para que o universo te sorria, e que tropeces continuamente em todas as pequenas felicidades que a vida possa ainda trazer-te.

Um beijo, Julieta. Continua a reconstruir o teu caminho.