Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

domingo, 11 de novembro de 2007

Lembranças.



O meu olhar atravessa os vidros do carro e se detém no mesmo lugar de sempre: a nossa praça, onde tudo começou.
Viajo no tempo e as lembranças de nós dois silenciam o tic-tac do relógio, trazendo de volta, o passado.


Olho ao redor e vejo a “mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores e o mesmo jardim.” Busco novamente os ponteiros do relógio e numa súplica silenciosa, peço-lhe que detenha o tempo para que as minhas recordações desfilem na passarela das saudades esquecidas. Mãos entrelaçadas, olhos nos olhos, um coração juvenil prestes a explodir de tanta felicidade, denunciam que o amor está no ar.

Um gostinho de saudade traz ainda cheiros e aromas que perfumam as minhas lembranças: um perfume, um refrigerante, uma tarde de cinema e pipoca (nosso primeiro filme juntos) um cheirinho de cachorro quente e churrasquinho, presença certa na Festa das Neves, tudo isso e a música que toca no rádio trazem você de volta.

São reminiscências de um passado, se fazendo presente em doces momentos para festejar a saudade que chega de mansinho, lembrando que o “amor é imprescindível e a solidão é apenas um acidente de percurso”

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