Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Por que não Falar de Amor?


Perguntaram-me, outro dia, por que só escrevo sobre o amor. Eu lhes respondi: Porque é só de amor que eu entendo! 

Aprendi a brincar com as palavras soletrando as letras em silêncio. E em silêncio, descobri que o amor é a maior de todas as palavras. Com ela, nós podemos fazer serenatas de ternura adoçando a vida em ‘palavras caramelo’.

Tomo-lhe emprestado todo o dia o “A” de: Amor Incondicional e com ele vou barganhando afetos com prazos de validade vencidos. O “M” me fala do Amor Maior, que a tudo perdoa e diz que “tudo vale a pena se a alma não é pequena”. O “O”, me lembra o Amor Obstinado, teimoso, firme e irredutível, que nem a passagem dos anos, nem as ausências e traições conseguem destruir ou transformar em sentimentos menores. E finalmente, o “R” de Amor de Redenção, que a todos salva e redime de culpas e processos transitados em julgado.

Perguntaram-me, outro dia, por que só escrevo sobre o amor. Eu lhes respondi: Porque é só de amor que eu entendo!
E porque só de amor entendo, vou lhes contar uma história: 

-Era uma vez eu, borboleta e ele beija-flor. Estávamos em férias, e logo fomos apresentados ao amor. Peregrina de um sonho onde o amor era mais-que-perfeito, eu, borboleta, me deixei seduzir e mergulhei fundo no olhar do beija-flor. Os seus olhos negros como a noite, eram só promessas de encanto e magia. No entanto, ao amanhecer de cada dia, eu borboleta, nada colhia. Os anos foram passando, verão após verão, e quase se deu com a borboleta amar sozinha em “Cem anos de Solidão”. Veio a era cibernética e com ela, o beija-flor voltou. Trouxe de volta o mergulho em seus olhos, e de passagem, um novo amor. O velho amor de sempre: amor de beija-flor!

E porque só de amor entendo, por que não falar de amor?

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