Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Qual a sua Idade?





Certo dia alguém me perguntou: “Qual a sua idade?” Pedi-lhe um tempo e pensei que resposta daria. Apesar de saber que não é educado perguntar a idade de quem quer que seja, não faço coro com as pessoas que mesmo diante das evidências, estão sempre a diminuir os anos numa tentativa vã de parecerem mais jovens. Aí pensei:

- Ah! Já sei o que dizer! Tenho a idade dos meus sonhos e esses não acabam nunca. Tenho um encontro marcado com eles todos os dias: no cheirinho da grama molhada, na bacia cheia de cajás - apanhados ao primeiro raio de sol – no caçuá de jabuticaba, no rolete de cana, no cacho de pitomba e no pé de flamboyant. Ah, meu pé de flamboyant... Quantos sonhos você embalou! Um rolo de corda, uma tábua e um travesseiro e lá estou, menina, a alçar vôos querendo alcançar o brilho do sol nas brincadeiras de criança.

O tempo foi passando, deixei para trás laços de fita, brincadeiras de roda e fui em busca do sonho de amar e ser amada. Peguei o bonde da esperança e durante a viagem, plantei um canteiro de margaridas em minha alma para saudar o amor que estava chegando de mansinho e ternamente, em meu coração. Construí castelos de areia, me perdi em devaneios, os sonhos mais lindos vivi e eles foram eternos enquanto duraram.


Há uma música dos Titãs que diz: “Devia ter errado mais, amado mais e visto o sol se pôr. Devia ter me importado menos com problemas pequenos, ter morrido de amor (...)”. Não morri de amor e os sonhos continuam. E são tantos que eu, menina, esqueci de virar gente grande. Tenho a idade dos meus sonhos e esses não acabam nunca. Eis a minha resposta.

domingo, 11 de novembro de 2007

Lembranças.



O meu olhar atravessa os vidros do carro e se detém no mesmo lugar de sempre: a nossa praça, onde tudo começou.
Viajo no tempo e as lembranças de nós dois silenciam o tic-tac do relógio, trazendo de volta, o passado.


Olho ao redor e vejo a “mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores e o mesmo jardim.” Busco novamente os ponteiros do relógio e numa súplica silenciosa, peço-lhe que detenha o tempo para que as minhas recordações desfilem na passarela das saudades esquecidas. Mãos entrelaçadas, olhos nos olhos, um coração juvenil prestes a explodir de tanta felicidade, denunciam que o amor está no ar.

Um gostinho de saudade traz ainda cheiros e aromas que perfumam as minhas lembranças: um perfume, um refrigerante, uma tarde de cinema e pipoca (nosso primeiro filme juntos) um cheirinho de cachorro quente e churrasquinho, presença certa na Festa das Neves, tudo isso e a música que toca no rádio trazem você de volta.

São reminiscências de um passado, se fazendo presente em doces momentos para festejar a saudade que chega de mansinho, lembrando que o “amor é imprescindível e a solidão é apenas um acidente de percurso”