Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

A Praça



Um silêncio de palavras e de gestos era tudo que lhe sobrara agora, que ela se via diante da paisagem que outrora lhe fizera a festa aos olhos e ao coração.

Lá estava ela, a praça - imponente - em suas copas, com o verde de suas árvores oferecendo sombra a algum caminhante cansado.O banco solitário à espera de confissões de amor parecia espreitar a dor que lhe pungia a alma.

Quanto tempo se passara desde então, e ela ainda, teimosamente, esperava por ele que se atrasara para aquele que seria o último encontro.
Em suas mãos, um maço de papéis amarelados pelo tempo, contrastava com o vermelho-rubro da fita que delicadamente os envolvia. Na frouxidão do laço, uma sugestão:

Desate-me, eu ainda estou aqui...

sábado, 22 de novembro de 2008

A Minha Casa, tem História!






A minha filha, preocupada com a minha segurança e o meu bem-estar, verbalizou dessa maneira o seu receio:
- Minha mãe, venda esta casa! Ela ficou espaçosa demais para você, depois que saímos.


Respondi-lhe no ato:
- Filha, a minha casa é um país dentro do meu país. É a minha pátria de intimidades. Ela tem cor, cheiro, som, passos e lembranças. Ela tem história! ... E se me tiram o chão, eu me torno estrangeira de mim mesma.

Ela ainda tentou argumentar, mas foi vencida pelo peso das minhas lembranças.
Disse-lhe eu: Triste é o homem, que não cultiva suas memórias!

- No passado, morei em outra casa, por força das circunstâncias fui obrigada a deixá-la e até hoje, depois de tantos anos, o caminhão de mudanças continua estacionado no mesmo lugar. É que uma menina de olhos tristes e lágrimas silenciosas, vendo-se sem saída, indagou ao motorista: - moço tem espaço aí para levar os meus pertences?

Ele respondeu: - tem, pode ir buscar. Ela, então, olhou-o bem dentro dos olhos e pediu-lhe que a ajudasse a transportar às suas lembranças. Aqui estão: a minha infância, e a felicidade correndo no meu corpo de criança, sorriso fácil, abraçando o mundo. Tem o pé de cajá – cobrindo de amarelo o chão, na madrugada - a goiabeira de onde recolho os frutos quando abro a janela do meu quarto, os pés de pinha, de groselha, de abacate e de mamão. E ainda, o flamboaiã amigo, onde instalei um balanço de cordas para recolher das nuvens, o algodão doce das minhas fantasias. Tem a horta com o verde das alfaces, coentros e pimentões lembrando-me a cor da esperança, e o tomate em seu tom vermelho, dizendo-me que em breve será tempo de paixões. Ah, não posso esquecer o jardim com suas rosas, dálias, cravos e margaridas. Como é bonito ver o orvalho da madrugada depositar as suas gotículas sobre as flores, e sentir o perfume que delas emanam misturando-se na manhã seguinte, ao cheiro que vem da cozinha. E, como é alegre a cozinha da minha mãe e doce a sua figura, a mexer no tacho de canjica, a costurar as pamonhas, a assar o milho verde, preparar a tapioca fresquinha e um delicioso bolo baeta, sempre, acompanhado de uma xícara de café. Tenho, ainda, passeando sobre as minhas memórias, o cheiro da galinha de cabidela, do cozido inigualável, dos famosos bolinhos de bacalhau, das rabanadas e dos perus assados no forno, ajudando-me a lembrar dos sons.

O crepitar do fogão à lenha é um espetáculo à parte: lembra-me o meu tio Chico e os seus fogos de artifícios nas noites de São João. A fogueira acesa provoca o calor que nos aquece, nessa época em que o vento frio anuncia que a canção da chuva vai tocar em nossos telhados. Um som de piano, e as minhas tias Marluce e Laice a dedilharem canções de amor, noite adentro; só interrompido quando o canto do galo já se faz ouvir. Nessa hora, os passos suaves de mãe Julia se aproximam e ela nos diz que a manhã já se avizinha, desejando-nos bons sonhos.

O beijo de boa noite, agora, seu moço, tem gosto de saudades. Os contos de fadas e todas as fantasias que povoam o meu mundo infantil, com seus jogos e brincadeiras, pedem socorro: Por favor, ajude-me a transportar as minhas lembranças! Tem espaço aí?

O homem olhando-me entre lágrimas, disse: - menina, essa mudança eu não faço por dinheiro nenhum! A sua casa tem história. E partiu, deixando o caminhão estacionado para nunca mais voltar.

domingo, 16 de novembro de 2008

Máscaras



Esta aí sou eu!

Eu plural, cheia de disfarces, mascarando o rosto para preservar a alma. Vivo pelas coxias da vida encenando uma peça que não é a minha. As palavras se vestem de colombinas e saem por aí, dissimulando sonhos, ocultando desejos. Elas não me representam, são apenas uma pálida impressão da alegoria do meu viver.

Anseio a liberdade dos abismos, a violação dos segredos! Poder mergulhar fundo nas profundezas do meu ser e de lá emergir, inteira, absoluta, sem máscaras, sem vestes; e desnuda, assumir sem pudores o que sou.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Uma rua... Uma saudade!






Hoje, ao lembrar de uma rua eu me senti aquecida.

É que outro dia, visitei a General Osório, no centro da cidade, e trouxe na bagagem lembranças, para colocar nas gavetas já tão abarrotadas da minha alma. No estojo da memória guardei os mais belos anos da minha vida: os anos dourados da juventude, com as suas inquietações, arroubos, paixões avassaladoras, e ainda, no rastro das recordações; um rosto, uma voz, uma mão amiga – minha tia Laice – ajudando-me a tecer fantasias.

Ao me entregar ao exercício de aquecer a memória, deleito-me com o prazer inefável dos cheiros e aromas que perfumam o ambiente, e compõe a cena de uma rua chamada saudade.

As reminiscências desfilam, neste momento, ante os meus olhos: são as cinzas do passado espalhando ternuras, perpetuando encantamentos, e trazendo sons adormecidos de palavras que escreveram a mais bela canção de amor: solidariedade.
(...).
E agora, feito bolas de sabão ao vento, as lembranças se dissipam e com elas, os personagens, seus perfumes e a trilha sonora de uma época onde o amor guardava poesia.

domingo, 2 de novembro de 2008

Um Buquê de Margaridas





Amo as flores e, entre elas, escolho as margaridas.
No amarelo está o sol a cada amanhecer, possibilitando-nos um recomeço, uma nova vida; no verde a esperança modelando os nossos desejos, e no branco, a paz dos lençóis desfeitos.
Há transbordamento de alegria quando suas pétalas se abrem em sorrisos para o sol; alvoroço e contentamento, quando reunidas desfilam beleza e vestem de cores às campinas.
Um buquê de margaridas abastece sonhos, é vida pulsante, reedição de histórias de amor. É a paixão que ainda goteja, por entre as dobras dos lençóis desfeitos.
Um canteiro de margaridas é convite ao amor; cama armada em plena luz do dia à espera dos amantes, sensualidade da natureza fazendo pulsar os nossos corações.
Há um buquê de margaridas espargindo sonhos, e cultivando esperanças em meu caminho...

sábado, 1 de novembro de 2008

Canção de Amor



Estou tirando férias de mim. Já fiz e refiz a mala inúmeras vezes e não sei o que levar: sobram-me dores, saudades e desejos... Na dúvida eu quero:

Quero me esquecer gente grande, retirar as máscaras e soltar as amarras;
Quero assumir sem pudores a menina-moça que eu deixei lá atrás - um dia - e com ela, resgatar todos os meus sonhos;
Quero percorrer os campos de girassóis, ver a dança das borboletas em seus volteios - nos jardins das margaridas – e saldar cada amanhecer com o sorriso das flores;
Quero, no entardecer dos dias, ouvir a canção da chuva tocando na minha janela e o colírio do arco-íris se desmanchando em cores para alegrar a minha alma;
Quero alcançar o pôr-do-sol com as mãos e recolher as estrelas que vêm a seguir;
Quero da noite a lua cheia, o riso solto da madrugada a desenhar ternuras pelo meu corpo e, dessa alegria, fazer uma canção de amor pra você.

Este texto é uma homenagem a Gilberto, o homem que me ensinou a dimensão da palavra ‘amar’.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

A Retirante



Ponto-e-vírgula foi o espaço de tempo – uma pequena pausa- que eu concedi a você antes de me despedir. Agora, ensaiei uma resposta para sua pressa em voltar: Não dá mais, acabou, vou embora... Adeus!
(...).
Sou retirante de mim mesma fugindo do solo árido do meu deserto interior. Desertei! Estou desabrigada, sou uma sem-teto. A terra dos meus sonhos, o meu chão batido de esperanças, outrora fértil, nada mais produz a não ser erva daninha. A minha língua-pátria já não me entende: duelamos no mundo das idéias, e tudo que conseguimos é uma trégua em meio a tantos desacertos.
Sou uma estrangeira em minha casa! O que falo e o que escrevo, é uma nota promissória rasurada. É fio de bigode partido. É palavra sem valor!
Não dá mais, acabou, vou embora... Adeus!
... Mas eu volto! Eu e esse meu amor previsível.

domingo, 26 de outubro de 2008

A Fogueira







No exercício da minha vida eu escolho a alegria, o sorriso e o encantamento pela arte do viver. Não cultivo tristezas, só lembranças, e essas me são necessárias vez por outra, a fim de evitar que eu esqueça quem já fui, e o que sou.

Às vezes, me pego moendo lembranças e “segredos de liquidificador”, então, acendo a fogueira dos meus devaneios e me permito revisitar o passado. Nessas horas eu coleciono saudades, e desconstruo mitos. Faço um inventário do meu passado, páginas e páginas são amassadas, destruídas, jogadas na cesta de lixo, e com elas, esse amor mal resolvido vai se transformando em cinzas.


As chamas da fogueira já não aquecem mais. O amor consumiu-se... E eu penso: da próxima vez “seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito.”

domingo, 19 de outubro de 2008

Brincar com as Palavras



Brincar com as palavras me permitiu exercer a face oculta dos meus sentimentos inconfessáveis. Dei-lhes um nome: saudades, e a partir daí, pus em prática a atividade lúdica de manusear as letras do alfabeto do amor. Peguei-as, e com elas, criei as minhas contradições. Ora, somava-lhe um sinal – uma pausa – e lá estava o meu amor latente, entre vírgulas, disfarçado; ora, ele assumia a sua intrepidez e dava abrigo aos meus desejos mais secretos.

Hoje, em vôo livre sobre as asas dos ventos, estou em busca da minha liberdade perdida. Vou recolher as palavras soltas pelo ar, para tentar resgatar o quanto de mim que ficou perdido neste espaço feito da poeira dos meus sonhos. Palavras mágicas, doces e caramelizadas, produtos de uma safra, doados, e sempre em provisão: amor, carinho, ternura e paixão, não encontram mais ressonância. (...).

Estava em busca de um passaporte que me libertasse desses sentimentos, por isso, escancarei a saudade até o amor esgotar-se.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Esculpidos na Areia




Às vezes, passamos uma vida tentando parecer com os outros, copiando modelos que julgamos perfeitos, e nos perdemos. Perdemos a nossa essência, aquilo que nos torna único, singular, especial. Em outras, construímos idéias sobre o par perfeito; aquela pessoa pela qual esperamos uma existência inteira e que sem ela, nada mais faz sentido. Em um determinado momento, capturamos esse instante, esse encontro ideal, e cristalizamos essas lembranças produzindo um efeito devastador em nosso futuro. Esculpimos a imagem da felicidade e nela projetamos um rosto, uma voz e um cheiro. Está feito o estrago, criamos o mito! Fruto de nossas carências damo-lhe poderes sem limites. E a partir daí, passamos a esculpir os nossos sonhos na areia da praia.

Então, um belo dia, vem o mar em seu sorriso de espumas e apaga os vestígios desses amores impermanentes, riscando a folha corrida dos momentos felizes e trazendo-nos de volta à realidade.
Mitos esculpidos na areia se desfazem... E outros nascem confirmando os adágios: ninguém é insubstituível e nada dura para sempre.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Deixar ir!...




Abrir mão de um desejo, de lembranças, fatos e pessoas que fizeram a diferença em sua vida, é uma das decisões mais difíceis que o ser humano pode tomar.

Deixar ir!... Fazer-se poeira de estrada, de estrelas e de sonhos. Como é custoso trabalhar o desapego!

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

O Cotidiano e as suas Certezas



Gosto do cheirinho do café, do aroma que sai do forno quando os pães quentes e crocantes avisam que já estão prontos, e quando a cestinha cheia de biscoitos anuncia que o fim de tarde se aproxima. É o cotidiano e as suas certezas se fazendo presente nas coisas simples e prosaicas do dia-a-dia.

Assim é também o meu amor por você. Tem gosto de café com leite e pão com manteiga. Nada mais trivial!

Acredito que, em regra, isto é o que incomoda muita gente: saber-se amado e ponto. Nada mais! Nenhuma montanha russa a deslizar emoções violentas, nem picos de adrenalina circulando pelo seu mundo de fantasias. Somente a rotina, a doce rotina recolhendo as asas da sua liberdade em prol de uma canção de amor.

E recolher não é cortar! É juntar, reunir, receber e abrigar. É amor somado, vida e paixões compartilhadas, embora que, para muitas pessoas, as asas de sua liberdade sejam um preço muito alto a pagar pela conquista de um só amor.

Prolongar a vida em dias de flores e cantos de sabiás é a aspiração maior de todo ser humano, mas viver o cotidiano em seus dias iguais, talvez seja o grande desafio de quem sabe que: o “seja eterno enquanto dure” só faz sentido, para quem aprendeu a sobrepujar os seus desejos e a viver o amor em sua real plenitude.

O cotidiano e as suas certezas, eis o preço da felicidade!

sábado, 4 de outubro de 2008

Adrenalina, seu Nome é Amor!




Abdiquei de dar vida as minhas palavras, para não trair o amor que ainda sinto... O terreno escorregadio em que caminho, hoje, está cheio de papéis amassados e de letras de um alfabeto em desuso. É um amor fora do tempo jogado ao lixo para reciclagem. É o meu amor!

Ah, essas mulheres que amam demais, como se tornam cansativas e previsíveis!

A rotina cansa e o amor envelhece. (...).
A adrenalina – esse amor que está em voga - segue o seu percurso diário em busca de novas emoções: o sangue lateja e o desejo aparece no desvio, na curva ou no atalho, para se tornar igual lá na frente, e a vida se fazer rotina de novo.

Ah, essas mulheres que amam demais, como se tornam cansativas e previsíveis!

Preciso reciclar as minhas palavras, colocar os meus sentimentos no tabuleiro de xadrez e dar-lhes um xeque-mate em nome da modernidade, da adrenalina e... Ah, desculpe, o nome disso é amor!

Ah, essas mulheres que amam demais!... Reciclar é preciso!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Passaporte Perdido




Sou uma romântica incorrigível, dessas que embarcam na saudade e perdem o passaporte, tornando-se refém das lembranças e dos amores que o tempo levou. Numa época de relações descartáveis, ainda, não fiz do meu corpo a capela dos meus desejos. Na contramão do tempo eu estou à deriva! Mergulho fundo nas águas turvas do meu passado para ver se encontro racionalidade para as minhas escolhas – as saudades sentidas - e nelas, encontro a saída: quando o amor fez bonito em nossas vidas e nos deixou um legado de boas recordações, amar é jamais ter que despedir-se.

Na intimidade das minhas lembranças há buquê de rosas contando uma história de amor: há um pão quentinho recém saído do forno, um ouvido atento e uma cumplicidade amorosa; uma coca-cola resgatada numa noite escura e perigosa, uma intimidade de silêncios que as palavras não conseguem traduzir e um dar-se as mãos com ternura, que nenhuma relação, por mais íntima, é capaz de alcançar.

As minhas saudades carecem de muito espaço, elas se fazem presentes, ainda, no arrepio do meu corpo quando escuto a música, tema da nossa história de amor. Elas aparecem quando estupefata constato que a felicidade, de hoje, é uma eterna busca por segurança e não por intimidades... E aí, eu lembro você e o seu amor sem igual.

Ao me debruçar, neste momento, sobre as páginas viradas da nossa história, eu tomo emprestadas as asas de um querubim e com elas alço vôos em sua direção para dizer que: “começaria tudo outra vez se preciso fosse, meu amor”, pois amar você valeu à pena... Demais!

(...).

E o passaporte? Ah, esse vai continuar perdido!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Bandeira Branca



Bandeira branca sinalizou, ela, e capitulou... Não mais haveria de esconder aquele amor guardado por tantos anos. Às favas com os escrúpulos, as meias verdades, as frases de duplo sentido e tudo o mais que o levasse a meio centímetro do calor dos seus braços e do seu beijo ardente. Não poderia esperar nem mais um segundo, pois, já tinha provado a eternidade longe do seu amor.
Foram longos os anos de espera e os projetos a dois, adiados em nome das convenções. Dessa vez, seria pra valer. E ela apostou todas as suas fichas nisso. Guerreira que era, foi à luta e emprestou-lhe também os cabelos, para que ele tivesse a força do Sansão de Dalila.
Pobre homem, quando viu sobejar tanta devoção, tanto carinho e tamanho desprendimento, avultou-lhe a culpa de não saber amar... E partiu para nunca mais voltar.

domingo, 28 de setembro de 2008

Habilite-se




Respondendo a sua pergunta, eu diria: meu compromisso é com a felicidade e esta, não está no prazer das horas nem na superficialidade dos encontros casuais. Não estou à procura da metade da minha laranja, nem tampouco da minha alma gêmea. Sou inteira, não necessito de complemento!

Acredito no amor que tenha como base o respeito e a admiração. Não saberia amar alguém que eu não admire e essa inclinação passa longe de um rosto bonito e um corpo sarado. Preciso de algo mais sólido! Desejo gente bem resolvida, que não necessite provar nada a ninguém. Gente satisfeita com as suas rugas, com os seus cabelos brancos, com a sua história de vida, e por que não, com a sua pouca habilidade para trapacear mentiras de amor. Ah, tem ainda um detalhe: na minha matemática um mais um, somam... E no meu corpo só cabe um abraço.
Portanto, se você se enquadra, habilite-se!

sábado, 27 de setembro de 2008

Não me Perguntem




Outro dia, tentei escutar a velha senhora que há tempos pede passagem para fazer morada em mim, e não a encontrei.

- Sinto muito, ousei dizer, mas a minha parada estacionou nos quinze anos. Tenho alma – ou espírito – de criança, e não me peçam para mudar! Não tenho medo do ridículo, e sim, de não poder criar, produzir, erguer castelos no ar e com eles abastecer de sonhos o meu viver. E a que se destina o viver se não for para transformar a matéria dos seus sonhos em realizações palpáveis? Há pessoas que morrem cedo quando abrem mão do desejo e da sua capacidade de transformar o mundo. São peregrinos de uma nação sem bandeira e estranhos de si mesmos. (...).

Não são os anos que me tornam mais sábia e circunspecta, porque se assim o fosse, todas as velhas seriam prudentes e felizes. A minha sabedoria está em permanecer alerta aos chamamentos da vida, a alegria de viver e a possibilidade de poder voltar e começar tudo outra vez.

Não quero a passagem e a seriedade dos anos determinando o meu comportamento e as minhas atitudes. Quero, agora e ainda, a iniciação dos meus verdes anos, para desfraldar as bandeiras que eu assumi na conquista da minha felicidade.
Portanto, não me perguntem! A ninguém é dado o direito de me lembrar a minha idade e o que fazer com ela, pois, tenho a idade dos meus sonhos e eles não acabam nunca.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Sonhos Sem-Teto



Sonhos Sem-Teto me levaram a manusear o alfabeto de brinquedo das minhas ilusões...
A arte de brincar com as palavras me proporcionou um gozo inenarrável. Embora não seja artista das letras, tomei posse do alfabeto da minha ignorância, e com ele reinventei o prazer de criar os meus sonhos sem-teto. Ah, que deliciosa essa vida de palavras! Como mentem quando eu preciso, e silenciam quando alguém se arvora no direito de possuir a legitimidade das palavras de amor.


As minhas palavras não têm vida! Elas são feitas de ausências... E validar a sua ausência é tudo que eu preciso para abrir mão dos meus sonhos sem-teto. Sonhos sem-teto, sempre eles, armazenando-se dentro de mim e ocupando espaços abertos pelo mito do verde-esperança.


Ah! Como eu queria ser artista das palavras, e com elas poder manipular essa dor que não passa, e que me vem de não sei onde, e sem eu saber por quê...

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Quem terá a posse da eternidade?



A vida é o que está acontecendo aqui e agora...
A diferença que há entre nós é que no côncavo das suas mãos você segura a eternidade como se ela fosse presente dos deuses, apenas, para a sua vida. Para mim o tempo urge e a vida é breve. Preciso dele para viver a felicidade escorregadia, que ora transita pelos meus dias, lembrando-me que nada dura para sempre, pois até os meus sonhos têm se tornado efêmeros nesse vaivém de emoções contraditórias.

Mantenho o amor que ainda sinto embalado na certeza de que o tempo e a ausência matam o amor, mas nada podem contra a saudade. E é dela, que ainda hoje, eu me alimento. Mas, o meu desejo de ser feliz procura por espaços, e na alternância entre suas dúvidas e ausências, um motivo a mais, para tentar atravessar a ponte que me leva onde a felicidade está disponível, pois, no silêncio das suas palavras, eu vi uma escolha.
Agora estou à deriva, mais uma vez essa tal felicidade se fez sorriso e se desmanchou nas ondas do mar. Navegar agora é preciso! O tempo e a sua ausência farão mais por mim do que eu e esse meu amor igual...

domingo, 31 de agosto de 2008

Palavras ao Vento



Palavras ao vento escritas, sem destinatário certo, foram parar em suas mãos e com elas, você erigiu um castelo de ilusões, fazendo-se posseiro do alfabeto das minhas dores e senhor das frases mal elaboradas do verbo amar, do meu amor.

Não se ufane, são apenas bobagens, devaneios de uma mulher sonhadora. As palavras não têm peso, os sentimentos, sim. Com eles construímos castelos de ternura e delas temos que sobraçar o sentimento libertário, para que não saiam, por aí, contando mentiras de amor.

sábado, 30 de agosto de 2008

Amor Solitário




O anonimato, que deu guarida a minha história de amor e me protegeu por anos, encontrou uma janela entreaberta e expôs os meus segredos.
O meu coração ousou pedir clemência, mas o seu murmúrio não se fez ouvir. Fiquei desnuda! E me avultou a dor, ainda mais, pela revelação, do que amar sozinha durante todos esses anos.


As palavras, coitadas, já não sabem como me aconselharem. Enchem-me os ouvidos de letras soletradas em silêncio: a-r-r-e-g-o! E eu dissimulo, finjo que não é comigo. Em surdina consulto o Aurélio e lá, ele diz: “arrego: ato de render-se, entregar-se”. E, novamente, eu disfarço, mas dessa vez eu digo baixinho: nunca! E sigo amando as letras, a capacidade de brincar com as palavras e continuar... Sozinha.

Inventário de Amor













Na cesta de lixo eu fui encontrar o esboço do inventário do nosso amor de ontem. Pobre amor! Nada cresceu, acrescentou. (...) Morreu!

domingo, 24 de agosto de 2008

Caro Amigo






Esse meu coração vagabundo anda vagando sem rumo à espreita de uma oportunidade para desafogar saudades. É tempo de renovação! O arrepio do corpo é o exercício do amor em movimento. A seara pede uma nova colheita... Bons ventos estão soprando nos trigais! Preciso extraviar as minhas saudades, para que o meu coração possa ser habitado novamente. Ele merece esta chance!

Devagar estou me reconstruindo após um luto prolongado e, agora, caro amigo, não sei onde colocar você na minha vida. Como uma aluna que admira o seu excelente Mestre - na arte da sedução e em construir e destruir ilusões - eu aprendi, com muito orgulho, todos os seus ensinamentos.


A modéstia me impede de dizer que a aluna superou o mestre, mas para regozijo seu, eu passei com louvor em todas as suas matérias. E é por isso que, nessa nova fase, nada passa despercebido: manhas, vícios, armadilhas e chantagens emocionais foram embaladas e despachadas, juntamente, com a sua mala que eu pus no corredor. Deixe a cópia da chave e seja feliz!

sábado, 23 de agosto de 2008

Eu criei você!







Aos quatro ventos espalham-se às sobras de mim... A minha ternura, o meu carinho, o meu desejo e essa vontade louca de ser feliz outra vez – sem você!

De repente um toque, um sino que badala lá longe, me traz de volta a realidade: você não existe, eu criei você, dei-lhe o status de personagem central da minha vida e no anfiteatro da minha existência ergui um circo onde o único palhaço era eu.
Agora, para delírio e gozo da platéia: eu o demito.

Enganando a Felicidade




Há tempos que eu venho procurando uma maneira de ser feliz. Peguei os retalhos de lembranças - costurados pelo tempo - e trouxe-os à tona. Olhei para o álbum de fotografias e vasculhei na memória, o enredo da nossa história de amor.

Uma fenda abriu-se e deixou expostas as gavetas da minha alma, por onde perpassam os meus anseios e onde está a sinopse de tudo o que eu tentei reconstruir durante esses últimos anos, sobre nós dois. Ao olhar através das frestas eu usufruí do silêncio do meu delito, mas me tornei refém das minhas lembranças: sem querer eu tomei posse de uma felicidade clandestina. Abandonei a ousadia de tentar um novo caminho e abdiquei do direito de ser feliz, quando me permiti viver ilhada num mar de recordações.

Na curva do tempo eu me tornei “emocionalmente inválida”, vivendo de fantasias e criando armadilhas invisíveis para reeditar uma história de amor que acabou há anos. Há muito que o príncipe virou sapo... Só eu não percebi que assim como o tempo e as cores dessa natureza efêmera, o meu amor também desbotou e se fez em pedaços imperceptíveis.

Preciso reescrever essa história sem as amarras do passado e para isso eu vou procurar o avesso dos fatos. Quem sabe, agora, eu possa transitar de olhos abertos entre o sonho e a realidade e consiga, de vez, lapidar as minhas frases de amor, dando-lhes um destino melhor...

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Vermelho Rubro





De tanto brincar com as palavras, elas fugiram de mim, e em nome de uma suposta coerência, estão deixando o território livre para que eu decida, de uma vez por todas, se desejo o branco da folha de papel, ou assumo o ‘vermelho rubro’ da minha paixão escancarada.

Tentei argumentar, mas, alegando diferenças irreconciliáveis, elas me abandonaram pelo caminho. Foi então, que eu perguntei: se vocês forem embora, onde eu vou encontrar o amor? Houve um silêncio pesado entre nós – como se a resposta já estivesse explícita – e logo em seguida, elas responderam:

- Ele está dentro de você, nas curvas do seu desejo e por todos os poros por onde transpiram as suas urgências. (...).

E partiram, deixando-me a sós com a brancura da folha de papel, que hoje, não me permite grandes vôos, tampouco mais uma mentira.

Juventude x Sabedoria





Ao delimitar as fronteiras entre o ser jovem ou velho, estamos subtraindo das pessoas o que elas têm para nos dá de contribuição sobre os dois mundos. É improfícua a luta que se estabelece quando um despreza a experiência do outro, alegando que a modernidade e a juventude são pré-requisitos para uma vida melhor e mais inteligente.

Estamos na era da tecnologia, nunca as coisas avançaram em tamanha velocidade e com a ‘urgência do agora’, a ciência nos brinda todos os dias com uma nova invenção: um dia descobre-se que café, vinho e chocolate fazem bem, no outro, se desdiz. Nada, dura para sempre! Estamos sempre em processo de renovação e de novas descobertas. Por que então não fazermos bom uso dos nossos aprendizados.

Alguém já disse: “Não sou jovem, não sou velho. Tenho o melhor dos dois mundos”.
E já que vivemos uma época de descobertas efêmeras, por que não nos darmos as mãos, para juntos, encontrarmos o equilíbrio entre a experiência do novo e a sabedoria dos anos vividos.

Se não perdermos a nossa capacidade de sonhar, criar e acontecer, seremos sempre jovens, em experiências e sabedoria. Sem contrapor com a juventude!

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Limites






O leque de opções que o excesso de liberdade possibilitou a essa juventude de hoje, talvez seja, o fio condutor que vá nos trazer respostas ao porquê de ela se encontrar tão perdida e sem referências, sobre o que fazer, para onde ir e em que sentido direcionar os seus sonhos e as suas angústias.

Tenho observado que quanto maior é a facilidade que ela encontra pelo seu caminho, maior é o seu despreparo diante da vida. Às vezes, somos facilitadores do ócio dos nossos jovens, quando não lhes cobramos responsabilidade e tiramos deles o dever de arcar com as conseqüências dos seus erros e acertos. Precisamos saber impor limites com amor. Essa juventude tem a seu favor os créditos daquela que a antecedeu: demo-lhes uma liberdade e uma confiança que não tivemos, ainda que merecedores. Abrimos veredas, descortinamos horizontes e oferecemos de bandeja todas as possibilidades para um caminhar sem tropeços e com poucas restrições: bastar-nos-ia o respeito e o reconhecimento, mas o que nos deram foi à culpa pela nossa indulgência.

Certa vez, o jornalista Paulo Francis disse: “Cada geração tem o seu código” e eu acredito, que o da minha geração tenha sido: responsabilidade, respeito e ousadia para quebrar regras que tornassem a nossa vida, na dobra do tempo, um prazer inenarrável de costurar pedaços de lembranças e transformá-las em vidas que valeram à pena.

Talvez, esteja na hora de ensinarmos o verdadeiro sentido da liberdade, para que ela – a juventude - aprenda sobre limites.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Contradições





Ando exercitando as minhas contradições. Ora vasculho gavetas e abro os armários em busca de lembranças que falam de nós dois – e me escondo no passado – ora deixo-as de lado, e sigo alimentando esse amor tão presente, que as palavras me dão: escrevo e através da escrita eu conto mentiras de amor, inverto o dicionário da dor e transformo palavras-saudade em sentimentos atemporais, criando a ilusão de que o sonho, ainda, não acabou.

domingo, 3 de agosto de 2008

Carta de Alforria





Meu passaporte para sair de você, amor, são as palavras, e feito escrava em sua senzala eu anseio pela liberdade, que um dia elas hão de me dar. Andei negociando a minha carta de alforria rumo à terra da felicidade, mas ela me foi negada.

Por que falar de amor é a minha sina? Andei sondando a possibilidade de levar o meu coração para fazer o ‘recall,’ e em troca eu daria – além dele – uma mega-sena inteira pelo direito de adquirir um coração vagabundo, mas isso também me foi recusado.

Como uma bomba de efeito retardado, o amor explodiu em minha vida e me levou a crer que seria único e inalienável, não deixando espaço às palavras para contestação. Puro engodo, propaganda enganosa.

Há tempos, que tento argumentar, fazer valer os meus direitos, recorri até a um ‘habeas corpus’ para me livrar das ilusões, mas feito sentença transitada em julgado – da qual não cabe recurso – eu fui aprisionada em um dicionário, onde só existem palavras de amor.

Foi aí que pensei: ah, quisera poder desfolhar todas as pétalas de rosas, ainda que politicamente incorreto, para fazer uma passarela onde o amor pudesse caminhar livre, leve e solto - como antigamente - mas não acredito mais, que ele possa existir! Na passarela atapetada por onde, hoje, os meus sonhos desfilam, eu fui procurar por ele e não o encontrei... Enfim estava livre, pensei! Doce ilusão, o amor perdeu o chão, mas foi procurar abrigo nas estrelas e é de lá que ele me manda notícias, sempre, nas minhas noites de solidão.

Coração Sem Juízo





Meu coração sem juízo ultrapassou as fronteiras do razoável e foi pedir abrigo às lembranças de nós dois, vasculhando armários, explorando memórias já esquecidas e semeando saudades onde só existiu solidão.

Tentei pervertê-lo, mas foi em vão! Recorri à imaginação, evoquei o passado com todas as suas dores e de nada adiantou. Feito posseiro – dos meus desejos secretos - ele se instalou confortavelmente no sonho de reaver o tempo perdido e pediu uma segunda chance ao amor.


Ah, que amor despudorado tem esse meu coração sem juízo! Vive sempre incandescente, qualquer que seja a estação e, além do mais, esquece que eu expus a minha dor em saudades, e que, nas entrelinhas das minhas cartas, as palavras estavam sempre encharcadas de amor. Amor que atravessou o tempo e se perdeu em esperas inúteis, deixando as minhas mãos órfãs dos exercícios das carícias e das trocas de ternura.

Preciso reinventar o meu afeto e dele, ocultar-lhe a face. O passado já não cabe dentro de mim... Quero a minha carta de alforria!

sábado, 2 de agosto de 2008

Tempo



Já houve quem indagasse por que falo tanto do tempo – esse que se conta pela sucessão das horas – e eu lhe respondi: procuro capturar dele os momentos de felicidade, pois, um dia, o amor fez de mim o seu cais e com a urgência de um passageiro em trânsito deixou meu coração dilacerado e partiu. (...).


Ando recolhendo do meu desejo a pressa em espalhar afetos, somar ternuras e multiplicar carícias, mas o tempo urge em época de relações virtuais, quando não se pode reclamar instantes perdidos e oportunidades passadas. Fazer o que então, se o ponteiro do relógio em sua inexorável marcha me tira o sabor da conquista e o poder da sedução?

Preciso de tempo e ele anda curto! O meu amor é lento em mãos de ternura e o meu mapa da felicidade está cheio de pegadas na areia; tem sempre uma onda que vem - apaga os vestígios - e escreve pelo caminho a palavra saudade. Preciso de tempo para me instalar delicadamente em seu coração e encontrar no mapa do amor, o caminho que me leve de volta às estrelas.

sábado, 26 de julho de 2008

Quanto Vale a sua Felicidade?




Uma pergunta me intriga: se hoje fosse o último dia da sua vida, como, com quem e onde você gostaria de estar? Experimente responder a isso sinceramente e veja para aonde as suas escolhas o estão conduzindo...

É inacreditável, que uma questão aparentemente tão simples, possa nos levar a um estado de inquietação que nos remete aos primeiros anos de nossas vidas, quando - crianças ou adolescentes – ainda não sabíamos ao certo como agir e para onde ir. É perturbador, reconhecer que, em sua maioria, muitos vão resvalar pelas respostas fáceis, escondendo-se ao abrigo das decisões que não lhes permitem voltar atrás, quer seja por comodidade, por pura covardia ou por outro sentimento de somenos importância.
Uma outra indagação se faz necessária para servir de complemento à primeira: afinal de contas, quanto vale a sua felicidade?

Às vezes, tenho a impressão de que algumas pessoas vivem numa eterna ponte aérea, entre o ser ou não ser, o ir e o vir, o desejar e o deixar partir e entre tantos sentimentos contraditórios, se perdem nos labirintos das escolhas mal sucedidas. Não sabem se vivem de verdade ou se levam uma vida virtual. Parece que estão sempre empacotando junto com as suas coisas materiais, as suas mudanças internas de afetos e sentimentos mal resolvidos, numa eterna andança para lugar nenhum.

Sempre ouvi dizer que o nosso lugar é onde está o nosso coração, mas o de algumas pessoas parece não estar em parte alguma. Vivem de mochilas nas costas procurando o seu espaço no mundo e esquecem de procurá-lo dentro de si. Passam tão pouco tempo consigo que já têm uma credencial permanente para a inadequação e outra para o deslumbramento...

Não se atrevem a reavaliar as suas opções, as suas escolhas e amiúde, passam à vida em brancas nuvens. São andarilhos de caminhos incertos que sobrevivem economizando felicidades. Por isso, responda sinceramente: se hoje fosse o último dia da sua vida; como, com quem e onde você gostaria de estar?
Feito isso, eu volto a lhe perguntar: quanto vale a sua felicidade?

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Meu Primeiro Beijo




É incrível como certas lembranças se perpetuam em nossa memória. Elas tomam posse da nossa alma e dão abrigo aos nossos sonhos sem-teto.

Sinto ainda hoje o cheiro, o gosto e o som do primeiro beijo: tinha o perfume das flores, o sabor de um pomar inteiro molhado de chuva, e o som de uma orquestra sinfônica, em andamento, disputando alegria com o pulsar do meu coração. Ah! Quanta felicidade e festa em minha vida! Chovia, fazia sol, e o astro rei dava passagem ao arco-íris que vinha trazer encantos para saudar o primeiro amor. Na passarela das minhas lembranças, agora, as imagens se sobrepõem: depois do beijo, um desencontro, saudades partidas de um amor que não floresceu. Sonho sem-teto, esperança perdida e pedaços de desejos esquecidos, na varanda da casa solidão, adormeceram em mim.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Amor ao Poder






Vivemos uma época de ressaca amorosa...
Procuramos um amor com características próprias, ou seja, alguns quilos de carne fresca com músculos bem definidos, adornados com as grifes da moda - Versace, Louis Vuitton e Armani - e alguns adereços, certamente, adquiridos na última Fashion Week. Deseja-se ainda, que ele venha embrulhado para presente e de preferência com um pomposo sobrenome de família assinado no verso do cartão. É um amor possível, mas que pressupõe vaidades: é arrogante, orgulhoso do ‘estar’ e sempre consegue o que quer, embora padeça da efemeridade e tenha na impermanência a lógica do seu desejo desvairado. É o amor ao poder...

Pobre amor de poderes podres que chafurdam no lamaçal da boçalidade e da inconseqüência. Ao menor sinal de desilusão, ou à primeira ruga ou cicatriz que surgir, lá se vai embora o amor procurar, nas prateleiras das varas de família, o acordo mais rentável, que é para fazer justiça ao parceiro por tanta ‘ dedicação e renúncia’, ‘companheirismo e cumplicidade’.

A antítese desse amor é o poder do amor conjugado na primeira pessoa do plural – nós – e que fala amorosamente e de mãos dadas sobre: carinho, ternura, compromisso e responsabilidade, solidariedade e respeito, peças fundamentais na construção de uma vida a dois. Amores assim constituídos, não desmoronam por uma gordurinha aqui, uma celulite ali ou uma seqüela física qualquer, nem tampouco se um revés financeiro mudar os ventos da bonança para outras plagas. É um amor sem disputas de egos ou de poder. É um amor de completude e não de exclusão... É um amor com açúcar e com afeto suficientes para acender uma fogueira, ouvir o outro e, a partir daí, reinventar o amor se necessário for.

domingo, 13 de julho de 2008

Tempo, Palavras-promessa e Ventos







Em ritmo de bolero as palavras dançam no céu da minha boca... Duas pra lá duas pra cá.
Quero falar de amor...

De soslaio, olho para o alfabeto - que desfila em seu traje de gala extasiando-se no perfume embriagador das promessas verbais - e penso: até quando, brincar com as palavras me será útil para entender os sentimentos confusos que passeiam dentro de mim, desarmando frases e perdoando discursos, num exercício de contradição tão evidente, que nenhum alfabeto será capaz de me conceder o 'habeas corpus'.

Consulto o tempo e ele diz: você ainda é uma garota sonhadora que se debruça sobre a linguagem para recolher instantes de amor. Volto, então, às letras e pergunto-lhes sobre a importância das palavras. Elas respondem: tempo, palavras-promessa e ventos são os três mosqueteiros que destroem o código do amor.

Não satisfeita eu retorno ao salão - o céu da minha boca – aproveito o ritmo contagiante do frevo e dissolvo em segundos a sopa de letras que expõe a minha fragilidade e a minha dor... Justifico-me dizendo: são brincadeiras do dicionário num encontro com o alfabeto do desamor. E minto. (...).

Palavras-promessa espalham-se aos ventos e eu sigo brincando, ora outorgando-lhes poderes incontestáveis ora trapaceando mentiras de amor.

domingo, 6 de julho de 2008

Meu Pé de Flamboyant



O Pé de Flamboyant – da minha infância - era o meu passaporte para a felicidade e a minha identidade de criança. Nós fincamos as nossas raízes em um mesmo terreno e crescemos juntos. Ninguém sabia ao certo onde começava um ou findava o outro. Éramos unha e carne, parceiros e cúmplices, companheiros de uma infância feliz. “Carpe Diem” era o nosso código.

Naquela época, o tempo e o vento em conta-gotas contribuíam para o bailado que as flores executavam quando se desprendiam dos galhos, fazendo surgir em ondas vermelhas um tapete por onde rolavam as nossas emoções e a sutil arte de ser feliz, pois, de viver ninguém tinha pressa; colhíamos o dia para saboreá-lo à noite entre sussurros e risadas felizes.

O tempo se fez cupido dos meus sonhos: o meu pé de Flamboyant adormeceu em mim, e acordou hoje, trazendo lembranças que me fazem feliz outra vez.

Em seu tronco mais forte instalei um balanço – uma corda, uma tábua e um travesseiro - e eu, menina, alcei vôos inimagináveis... Pura fantasia, somente realizável pela inconseqüência da idade e do ser criança; muitas vezes eu subi em seus galhos com um prato de comida numa mão e um copo na outra, apenas, para olhar a cidade do alto de suas copas. Sentia-me feliz e poderosa... Era a felicidade em flocos de algodão doce tentando se misturar às nuvens para tomar banho de sol...

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Um Abraço de Palavras



Hoje, eu vou sair de mim para ir ao seu encontro. Estou desarmada e em missão de paz.
Trago um abraço lambuzado de palavras e todas com o sabor do caramelo. Por favor, não se afaste, não se feche em copas ou fuja de mim, também não precisa empacotar toda a sua mudança interna de afetos e sentimentos mal resolvidos; apenas para me dizer que não está sofrendo...


Eu amei você e precisei desse tempo para comprovar que você não existia. Mas agora, pode voltar AMIGO, a casa continua sempre sua... Não precisa bater! Entre só de mansinho e se deixe abraçar, pois em meu mundo de palavras sobram abraços para você.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Amor em Chamas




Você me queima e eu derreto ante a ausência das palavras de amor que não foram ditas.

Feito um cubo de gelo o meu coração desfila saudades que se esvaem. O meu sonho de amor, última chama de uma tocha olímpica, me levou ao podium das dores. Ganhei medalha de ouro em sofrimento por insensatez, mas nem assim, eu refutei a sua importância em minha vida. O passado, hoje, é um quadro pendurado à altura dos meus olhos e bem perto do meu coração; feito chama que arde, mas não queima mais...

Enquanto vivo, aprendo e busco coerência para o meu sofrimento nas palavras que Carpinejar, tão lindamente, poetizou: “Não irei me vingar com as cinzas, arrancar as folhas que não combinam comigo, ou que me provocaram decepções. Não serei visto queimando fotografias, cartas e paixões numa lata de lixo, apenas porque não me servem mais. O que namorei vai me enamorar a vida inteira. Estará lá numa página definida, permanente, com a letra segurando as linhas (...). Todos os meus erros são esperançosos pela releitura”*.

*Publicado em 24/06/08 -fabriciocarpinejar.blogger.com.br

terça-feira, 1 de julho de 2008

Nem Preto nem Branco



Homens não têm pele, eles se vestem pelas almas.
Almas que provocam o arrepio na pele ou a repulsa no olhar.
A infinita beleza do arco-íris - em sua poesia de cores e encantamentos - é que agasalha os homens despidos de preconceitos e irmanados na multiplicidade racial.
Somos todos começo de uma mesma fonte, estrelas cadentes expatriadas para a terra do sem fim, onde não há fronteiras nem de cor nem de raça e os limites territoriais são firmados no espaço existente entre o encontro de mãos.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

As ruas dentro de mim







As ruas da minha cidade caminham dentro de mim e por elas passeiam a menina-moça que eu fui um dia. Hoje, ao percorrer a passos largos de saudades por essas mesmas vias de outrora, me vejo - num olhar de doce contemplação - a procurar personagens que fazem parte desse meu trajeto pelas ruas da cidade.

Tudo continua igual, nada nem ninguém mudou de endereço.
Nenhum caminhão de mudança à vista...
Por que será, então, que só eu faço parte desse cenário? Um silêncio cala o barulho que vem de fora e eu sinto nesse momento que os meus sentidos se aguçam, reproduzindo sons e trazendo aromas, que fazem aflorar através das minhas lembranças, os passos que me conduzem a esse mesmo lugar e a fragrância do jasmim que perfumam as ruas da minha cidade.

Abro a janela da minha alma e a imaginação corre solta: ruas, avenidas e praças contornam os meus sonhos de menina. Aqui, a Festa das Neves se manifesta através do som alegre dos seus parques de diversões, da alegria criança dos seus meninos com o cheiro do cachorro-quente, do espetinho de carne e da maçã do amor. Lá nas Avenidas dos Ipês Amarelos, onde a poesia e o poeta marcaram um encontro de amor, alguma lágrima furtiva ficou esquecida a banhar as folhas que caem, marcas de um tempo e de saudades, ainda, em flor. Folhas ao vento espalham-se, cobrindo ruas, dobrando esquinas e deixando nua a minha alma, que caminha hoje solitária, pelas ruas dentro de mim.


Na praça, sentado em um banco qualquer, eu encontro o poeta – único personagem resgatado nessas minhas andanças – trazendo em suas mãos um amontoado de sonhos, em folhas de outono, que se dispersam pelos chãos: é um viajante que corre em busca do tempo perdido; é um encontro que foi desfeito e uma saudade que foi esquecida. E, finalmente, é o vento que varre as ruas, hoje quase nuas, e os espelhos d’água, provocados pelas lágrimas minhas e suas.

sábado, 24 de maio de 2008

Quem eu Sou?




A quem interessar possa eu quero dizer que não tenho pretensões literárias. Escrevo para exorcizar velhos amores e curar antigas feridas. As palavras me vêm como beija-flores: pousam e vão embora. Percorro todo o alfabeto velozmente, brincando com as palavras, tentando dar-lhes sentido para ver se alguma coisa aqui dentro - do coração - faz eco.
E entre uma frase e outra eu, às vezes, tropeço nas palavras dando-lhes um peso e uma importância que já não têm mais.

Quem eu sou, pergunto-me? Sou a soma das palavras que se juntam para falarem de amor. Tenho-as no céu da boca adoçadas pelo mel que escorrem dos amores finitos.

Ainda não consegui o meu alvará de soltura em matéria de amor. Falta-me atrevimento, ousadia para tentar um novo caminho que me liberte da zona de conforto onde eu me refugiei. Em meu sítio de memórias ainda guardo velhas lembranças que se deixam corroer pelas traças, mas não abrem mão do passado e seu cheiro de naftalina. Tento provocar avarias desconstruindo personagens mitificadas, mas o amor não quer tirar férias em meu coração. Então eu vou seguindo à trilha deixando que os meus passos contem, passo a passo, quem eu sou.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Meus três Amores





As folhas secas do outono me fazem lembrar os baús esquecidos nos porões, guardiões de saudades esquecidas, que vez ou outra ressurgem com cheiro de naftalina. É o inverno que se avizinha trazendo o vento frio que açoita a minha alma, com lembranças já gastas de um passado ainda tão recente.

Foram três os amores que eu tive.
Três amores, três visitas: Uma esperança, uma presença e uma lembrança.
A primeira me surgiu em cima de um cavalo baio, tocou levemente em meu corpo e arrebatou a minha alma. Deixou-me trinta moedas de ouro.
A segunda me chegou de mansinho, como quem nada queria, me encontrou desarvorada e me deu o seu carinho. Foi no verão, um tempo de calor e emoção. Um beijo tímido e hesitante foi o presente e marcou a fecundação. Deixou-me três vidas.
A terceira trouxe o beijo molhado de chuva, a rosa vermelha ainda em botão, o amor cantado em versos e prosa para alegrar o meu coração. Era a primavera e a vida se fez alegria, estava no ar o amor com gosto de poesia. Deixou-me um poema e uma canção, e a certeza do seu amor em meu coração.

Foram três os amores que eu tive. Três amores, três visitas.
E foi assim que o amor se fez silêncio, nos braços do sonho que o acalentava.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Sob o signo da liberdade





Andaram me procurando, não encontraram. Recolhi-me.
E agora, sob o signo da liberdade, eu estou perambulando pelas ruas esquecidas de mim. Já não tenho necessidade das grades da alma. A chuva arrastou tudo o que encontrou pela frente e deixou desabrigado o meu coração. E por estar assim, exposto às intempéries, ele apressou o passo e foi ao encontro de uma nova vida... Um lugar seguro onde pôde abrigar-se dos rigores do inverno, enquanto a primavera com o seu verde esperança, não tardou a lhe trazer o sol que a tudo iluminou e fez florescer.

Durante o tempo em que a chuva se fez presente com os seus raios e trovoadas, não pude perceber toda a beleza do arco-íris que vem depois. Mas, um pequeno raio de sol em toda a sua exuberância de luz fez surgir, da cadeia que aprisionou a minha alma por tanto tempo, a Fênix que habita em mim... Então, eu ressurgi, mas não das cinzas e sim, de um belo dia de chuva que lavou a minha alma e deixou livre o meu coração.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Inesquecível






Uma tela em branco à minha frente sempre me convida a rabiscar idéias que pulsam a todo o momento, quando permito que os meus sentimentos fiquem à deriva. Deixo-me conduzir, então, por lembranças que a marca do tempo não conseguiu alcançar: tudo se faz presente outra vez. Um cheiro, um som e uma voz, e eu já embarquei nesse trem em busca de uma estação chamada saudade. Lá, existe um terreno fértil onde eu vou poder acolher e agasalhar todos os momentos vividos, resgatando-os para, oportunamente, transformá-los em inesquecíveis.


Somos todos passageiros de um tempo, em que as lembranças começam sempre que os primeiros fios de cabelos brancos nos conduzem ao porto solidão. Nesse lugar, ficamos a sós e em meio a esse silêncio interior, buscamos em nossas memórias por momentos intangíveis.


Uma casa com pomar e imensos canteiros é a mais bela tradução de uma infância feliz. De manhã, ao primeiro raio de sol, lá estava eu, toda faceira, recolhendo todos os cajás que as minhas mãos infantis pudessem alcançar. Depois vinham as pinhas, as goiabas e as groselhas, muitas vezes colhidas sob uma chuva fina que só contribuía para deixar o amanhecer mais encantador. Café da manhã tomado, corria eu para os canteiros de flores e hortaliças, onde os pés de alface, de coentro, de tomate e de pimentão, molhadinhos do orvalho da madrugada, ofereciam aos meus olhos um espetáculo de cores em perfeita sintonia com a suavidade do perfume da rosas, das margaridas, dos cravos e dálias que enfeitavam o jardim da minha mãe. Esse é o cheiro... Inesquecível.


Foi há tanto tempo e aqui dentro - do coração - parece que aconteceu ontem: um rádio antigo tocava a música o ‘Lago dos Cisnes’ embalando a novela que se passava às 17h30min, para logo em seguida, a primeira batida das l8 horas, a suave ‘Ave Maria de Gounod’, se fazer ouvir. Depois, após o jantar, íamos todos à sala do piano, ouvir Ray Conniff em suaves acordes, transformando a noite em uma doce melodia. Esse é o som... Inesquecível.


Uma rede na varanda – para ler gibis - um balanço de cordas no pé de flamboaiã, brincadeiras com bola de gude, com bambolê, jogar amarelinha e brincar de casinha, trazem hoje, aqui e agora, o eco de uma voz... Inesquecível. “Menina, passe já para dentro! Está na hora de tomar banho, almoçar, ir ao colégio, dormir, acordar, apanhar cajás...”.


É a vida que continua gerando lembranças e trazendo saudades: Um cheiro... Um som... Uma voz... Inesquecíveis.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Sonhos!




Tínhamos um encontro marcado, todos os dias, eu e o poeta. Sempre que eu ligava o computador, ali estava ele, sereno, afetuoso e magnânimo em seus comentários. Fui me acostumando a tê-lo por perto e me distraí, quando me dei conta estava totalmente seduzida por suas palavras: o amor se instalou em meu coração.

Ah! Meu poeta distraído, por onde andará, hoje, todo o sentimento do mundo que você poeticamente transforma em ‘palavras caramelo’? Sinto saudades das coisas e dos afetos que não vivemos, separados que fomos por caminhos que não se cruzaram. Como teria sido o encontro entre a menina sonhadora e o poeta distraído? Caberia em palavras um sentimento tão puro que nem um coração tão grande parece ter espaço para abrigar?

Sonhos... São sempre sonhos as viagens que fazemos juntos. Eu aqui a desenrolar os fios de um novelo, peça de ficção, de uma história de amor que nunca aconteceu, e você daí, tal e qual um poeta apaixonado, a me mandar versos encantados que seduzem e arrebatam a minha alma.

sábado, 29 de março de 2008

Canção da Chuva



Lá fora, a chuva cai silenciosa e intermitente. Aqui dentro, as lembranças vão surgindo no mesmo ritmo, deixando a descoberto a criança que fui um dia. Basta uma garoa e lá estou eu, menina, a correr pelos campos, olhando para o céu e pedindo a São Pedro que faça cair um toró capaz de lavar a minha alma.

Que saudades que eu tenho de ser criança outra vez! Ela é a minha melhor parte... É o sonho, a magia, a ternura, a inocência e o mais importante: é a soma de toda a humanidade dentro de mim. Posso abrigar dentro dela, o branco e o negro, o feio e o belo, o perfeito e o imperfeito, o oriental e o ocidental, sem que isso faça a menor diferença, pois ela desconhece a maldade e o preconceito.


Não por acaso, hoje, sentindo essa chuva fina que cai como lágrimas dos céus a derramarem-se sobre o meu rosto; eu sinto saudades da minha infância e da alegria criança que eu nunca perdi. Tenho ímpetos de sair por aí me banhando nas águas de março, oferecendo o rosto para o beijo molhado da chuva a purificar a minha alma e aquietar o meu coração tão saudoso do passado.

A minha memória afetiva traz o som de um piano a executar o ‘Noturno de Chopin’ noite adentro, em sintonia com a canção da chuva que torna o ambiente acolhedor e propício às saudades em tom maior.


Um jardim cheio de flores, borboletas a pousar em rosas, margaridas, cravos e dálias e uma grama molhada pelo orvalho da madrugada denunciam que a criança que há em mim, está pedindo passagem: “são as águas de março fechando o verão” é a saudade de mim, fazendo morada em meu coração.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Antes que seja tarde!




A você que percorreu comigo toda a Via Láctea e, entre sorrisos e beijos, caminhou por entre astros e estrelas, murmurando palavras de amor, eu venho, hoje, prestar a minha homenagem.

Obrigada, por seu amor tão puro, tão lindo e tão sedutor. Obrigada pela beleza desse amor cantado em versos e em prosas e por ter me apresentado a ele de uma maneira tão doce, tão terna e ao mesmo tempo tão arrebatadora...

Foram anos de encantamento e magia, que eu plantei no jardim das saudades que gosto de ter e para as quais eu volto, sempre que do amor alguém me faz descrer.

Quisera, ainda, com você poder compartilhar uma lua cheia, um chão coberto de estrelas. Vagar por entre nuvens, vivendo os mesmos sonhos e as mesmas emoções e, de mãos dadas, pisar nos astros de maneira distraída... Mas não posso. E essa impossibilidade me diz que isto também é amor. É outra forma de amor. É respeito, é carinho, é o amor numa dimensão que não se mede pelo prazer, nem pela dor e, sim, por tudo o que ele representou enquanto durou.

A você que me ofertou flocos de algodão doce em forma de carinho e fez uma passarela de pétalas de rosas para que o meu caminhar fosse mais suave, eu retribuo dizendo, antes que seja tarde: Obrigada, por você ter existido em minha vida de uma maneira perene, afetuosa e singular.

domingo, 2 de março de 2008

Procura-se!




Procura-se um amor pra chamar de seu, que venha embrulhado em ternuras e que seja afeito aos carinhos meus. Sinto falta do amor... do amor simples, despojado e generoso, que não tenha pressa em partir e que se encante com a possibilidade do ficar. Sinto falta do amor que adore uma lua cheia, que goste de se banhar nas estrelas e que me faça versos ao luar. Sinto falta do amor que goste da terra molhada, do jardim cheio de flores e o do orvalho da madrugada.

Procura-se um amor que conjugue o verbo amar, que saiba rimar saudade com poesia e que tenha pressa em voltar.

Procura-se um amor que goste de chamego, de ternura e de aconchego e que venha para ficar... enquanto houver estrelas e noites de luar.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Gratidão




Tenho alma de criança e embora o meu corpo acompanhe a minha idade, sinto a vida de uma maneira leve, quase lúdica. Nada me pesa, nem as mágoas, nem os rancores, nem os sofrimentos que chegam sem aviso prévio. Aprendi a agradecer a Deus por tudo que ele me enviou em forma de bênçãos e também de dificuldades, pois, percebi que a natureza sempre provê na hora certa àqueles que andam nos caminhos da retidão e da justiça.

Meu lema é: fazer aos outros, aquilo que gostaria que fizessem comigo e, em sendo assim, vivo sempre em estado de graça. De nada a minha consciência me acusa e eu preciso dessa paz de espírito para poder levar a minha vida com leveza.

Quando algo ocorre fora do script eu logo me pergunto: o que é que isto está querendo me dizer? Se me comportei mal procuro corrigir e se não entendi a mensagem, fico alerta para futuras providências. Não sei viver diferente! O respeito pelo outro é o que me impulsiona a agir assim.

Muitas vezes me questiono por achar que a vida tem sido pródiga de graças para comigo e para com a minha família, quando há tanto sofrimento lá fora para ser visto, avaliado e reparado.

Nessas horas então, eu caio em campo, arregaço as mangas e tento fazer a minha parte. E dessa forma vou seguindo a minha vida, vivendo, amando e aprendendo que todos nós fazemos parte de uma mesma corrente e que um só elo que se parta fará toda a diferença. Daí a nossa obrigação e o nosso dever de fazer sempre o bem, sem olhar a quem.