Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Amor em Chamas




Você me queima e eu derreto ante a ausência das palavras de amor que não foram ditas.

Feito um cubo de gelo o meu coração desfila saudades que se esvaem. O meu sonho de amor, última chama de uma tocha olímpica, me levou ao podium das dores. Ganhei medalha de ouro em sofrimento por insensatez, mas nem assim, eu refutei a sua importância em minha vida. O passado, hoje, é um quadro pendurado à altura dos meus olhos e bem perto do meu coração; feito chama que arde, mas não queima mais...

Enquanto vivo, aprendo e busco coerência para o meu sofrimento nas palavras que Carpinejar, tão lindamente, poetizou: “Não irei me vingar com as cinzas, arrancar as folhas que não combinam comigo, ou que me provocaram decepções. Não serei visto queimando fotografias, cartas e paixões numa lata de lixo, apenas porque não me servem mais. O que namorei vai me enamorar a vida inteira. Estará lá numa página definida, permanente, com a letra segurando as linhas (...). Todos os meus erros são esperançosos pela releitura”*.

*Publicado em 24/06/08 -fabriciocarpinejar.blogger.com.br

Um comentário:

Dani Almeida disse...

"O passado, hoje, é um quadro pendurado à altura dos meus olhos e bem perto do meu coração" (...)

Se eu pudesse escolher um texto preferido, definitivamente, escolheria este.

Sobretudo porque também sou do time daqueles que enxergam em cada fragmento da colcha de retalhos de nossa vida, um pedaço constitutivo essencial - e insubstituível - que não merece ser apagado,esquecido ou renegado, mas posto "à altura de [nossos] olhos", para que possamos, eternamente, rememorar cada momento da trajetória única e invididual de nossa história.