Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

sábado, 26 de julho de 2008

Quanto Vale a sua Felicidade?




Uma pergunta me intriga: se hoje fosse o último dia da sua vida, como, com quem e onde você gostaria de estar? Experimente responder a isso sinceramente e veja para aonde as suas escolhas o estão conduzindo...

É inacreditável, que uma questão aparentemente tão simples, possa nos levar a um estado de inquietação que nos remete aos primeiros anos de nossas vidas, quando - crianças ou adolescentes – ainda não sabíamos ao certo como agir e para onde ir. É perturbador, reconhecer que, em sua maioria, muitos vão resvalar pelas respostas fáceis, escondendo-se ao abrigo das decisões que não lhes permitem voltar atrás, quer seja por comodidade, por pura covardia ou por outro sentimento de somenos importância.
Uma outra indagação se faz necessária para servir de complemento à primeira: afinal de contas, quanto vale a sua felicidade?

Às vezes, tenho a impressão de que algumas pessoas vivem numa eterna ponte aérea, entre o ser ou não ser, o ir e o vir, o desejar e o deixar partir e entre tantos sentimentos contraditórios, se perdem nos labirintos das escolhas mal sucedidas. Não sabem se vivem de verdade ou se levam uma vida virtual. Parece que estão sempre empacotando junto com as suas coisas materiais, as suas mudanças internas de afetos e sentimentos mal resolvidos, numa eterna andança para lugar nenhum.

Sempre ouvi dizer que o nosso lugar é onde está o nosso coração, mas o de algumas pessoas parece não estar em parte alguma. Vivem de mochilas nas costas procurando o seu espaço no mundo e esquecem de procurá-lo dentro de si. Passam tão pouco tempo consigo que já têm uma credencial permanente para a inadequação e outra para o deslumbramento...

Não se atrevem a reavaliar as suas opções, as suas escolhas e amiúde, passam à vida em brancas nuvens. São andarilhos de caminhos incertos que sobrevivem economizando felicidades. Por isso, responda sinceramente: se hoje fosse o último dia da sua vida; como, com quem e onde você gostaria de estar?
Feito isso, eu volto a lhe perguntar: quanto vale a sua felicidade?

3 comentários:

Lúcia disse...

(...) faze com que eu perca o pudor de desejar que
na hora de minha morte haja uma mão humana amada
para apertar a minha (...)
A sua poesia me lembrou o poema -oração de Clarice Lispector que eu adoro.
Pois então, tô de volta ao blog. Como poderia não estar? Beijos

Dani disse...

mas será que não é o desejo que nos serve como mola propulsora nos motivando a seguir buscando razões para buscar a tal felicidade? se hj fosse meu ultimo dia de vida, escolheria estar perto daqueles que mais amo nesta vida, e vc certamente estaria entre eles.

Pedro disse...

Tia Ju!!!
ótimas indagações!
acho que a felicidade não tem preço, mas a vida nos prega peças constantemente... seria justo retirar alguem de seu coração ou de sua vida num ultimo momento? e se alguem a qual não escolhemos nos escolhesse para o ultimo momento...
eita vida complicada boa danada. O que dá gosto nessa vida é saber que cada dia é uma surpresa. Uma vez ouvi "quando pensamos que sabemos todas as respostas da vida, ela vem e muda as perguntas..."

Xêro grandão tia Ju!