Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Limites






O leque de opções que o excesso de liberdade possibilitou a essa juventude de hoje, talvez seja, o fio condutor que vá nos trazer respostas ao porquê de ela se encontrar tão perdida e sem referências, sobre o que fazer, para onde ir e em que sentido direcionar os seus sonhos e as suas angústias.

Tenho observado que quanto maior é a facilidade que ela encontra pelo seu caminho, maior é o seu despreparo diante da vida. Às vezes, somos facilitadores do ócio dos nossos jovens, quando não lhes cobramos responsabilidade e tiramos deles o dever de arcar com as conseqüências dos seus erros e acertos. Precisamos saber impor limites com amor. Essa juventude tem a seu favor os créditos daquela que a antecedeu: demo-lhes uma liberdade e uma confiança que não tivemos, ainda que merecedores. Abrimos veredas, descortinamos horizontes e oferecemos de bandeja todas as possibilidades para um caminhar sem tropeços e com poucas restrições: bastar-nos-ia o respeito e o reconhecimento, mas o que nos deram foi à culpa pela nossa indulgência.

Certa vez, o jornalista Paulo Francis disse: “Cada geração tem o seu código” e eu acredito, que o da minha geração tenha sido: responsabilidade, respeito e ousadia para quebrar regras que tornassem a nossa vida, na dobra do tempo, um prazer inenarrável de costurar pedaços de lembranças e transformá-las em vidas que valeram à pena.

Talvez, esteja na hora de ensinarmos o verdadeiro sentido da liberdade, para que ela – a juventude - aprenda sobre limites.

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