Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Vermelho Rubro





De tanto brincar com as palavras, elas fugiram de mim, e em nome de uma suposta coerência, estão deixando o território livre para que eu decida, de uma vez por todas, se desejo o branco da folha de papel, ou assumo o ‘vermelho rubro’ da minha paixão escancarada.

Tentei argumentar, mas, alegando diferenças irreconciliáveis, elas me abandonaram pelo caminho. Foi então, que eu perguntei: se vocês forem embora, onde eu vou encontrar o amor? Houve um silêncio pesado entre nós – como se a resposta já estivesse explícita – e logo em seguida, elas responderam:

- Ele está dentro de você, nas curvas do seu desejo e por todos os poros por onde transpiram as suas urgências. (...).

E partiram, deixando-me a sós com a brancura da folha de papel, que hoje, não me permite grandes vôos, tampouco mais uma mentira.

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