Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Passaporte Perdido




Sou uma romântica incorrigível, dessas que embarcam na saudade e perdem o passaporte, tornando-se refém das lembranças e dos amores que o tempo levou. Numa época de relações descartáveis, ainda, não fiz do meu corpo a capela dos meus desejos. Na contramão do tempo eu estou à deriva! Mergulho fundo nas águas turvas do meu passado para ver se encontro racionalidade para as minhas escolhas – as saudades sentidas - e nelas, encontro a saída: quando o amor fez bonito em nossas vidas e nos deixou um legado de boas recordações, amar é jamais ter que despedir-se.

Na intimidade das minhas lembranças há buquê de rosas contando uma história de amor: há um pão quentinho recém saído do forno, um ouvido atento e uma cumplicidade amorosa; uma coca-cola resgatada numa noite escura e perigosa, uma intimidade de silêncios que as palavras não conseguem traduzir e um dar-se as mãos com ternura, que nenhuma relação, por mais íntima, é capaz de alcançar.

As minhas saudades carecem de muito espaço, elas se fazem presentes, ainda, no arrepio do meu corpo quando escuto a música, tema da nossa história de amor. Elas aparecem quando estupefata constato que a felicidade, de hoje, é uma eterna busca por segurança e não por intimidades... E aí, eu lembro você e o seu amor sem igual.

Ao me debruçar, neste momento, sobre as páginas viradas da nossa história, eu tomo emprestadas as asas de um querubim e com elas alço vôos em sua direção para dizer que: “começaria tudo outra vez se preciso fosse, meu amor”, pois amar você valeu à pena... Demais!

(...).

E o passaporte? Ah, esse vai continuar perdido!

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