Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

sábado, 1 de novembro de 2008

Canção de Amor



Estou tirando férias de mim. Já fiz e refiz a mala inúmeras vezes e não sei o que levar: sobram-me dores, saudades e desejos... Na dúvida eu quero:

Quero me esquecer gente grande, retirar as máscaras e soltar as amarras;
Quero assumir sem pudores a menina-moça que eu deixei lá atrás - um dia - e com ela, resgatar todos os meus sonhos;
Quero percorrer os campos de girassóis, ver a dança das borboletas em seus volteios - nos jardins das margaridas – e saldar cada amanhecer com o sorriso das flores;
Quero, no entardecer dos dias, ouvir a canção da chuva tocando na minha janela e o colírio do arco-íris se desmanchando em cores para alegrar a minha alma;
Quero alcançar o pôr-do-sol com as mãos e recolher as estrelas que vêm a seguir;
Quero da noite a lua cheia, o riso solto da madrugada a desenhar ternuras pelo meu corpo e, dessa alegria, fazer uma canção de amor pra você.

Este texto é uma homenagem a Gilberto, o homem que me ensinou a dimensão da palavra ‘amar’.

Um comentário:

Dani Almeida disse...

Muito bonito o final de seu texto, mainha. Surpreendente.
Que belas memórias metaforizadas pela natureza.