Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

sábado, 24 de janeiro de 2009

Perdidos e Achados



Ao entardecer saí para caminhar na praia. O mar em movimento de fluxo e refluxo esvaziava as suas águas em baixa maré.
Olhando a distância vi um pequeno grupo de pescadores com o olhar atento ao que as ondas depositavam na areia. Andavam de um lado a outro, sempre em linha reta, disputando espaços.
Aproximando-me, perguntei a um deles:
“-Moço, posso entrar no mar ou tem algo estranho acontecendo?” Respondeu-me:
“-Pode tomar seu banho tranqüila. Nós estamos aqui esperando os perdidos.”
“-Perdidos?” Indaguei-lhe curiosa.
“-Sim, os perdidos que o mar sempre devolve”. Disse-me ele.
Olhei-o mais uma vez, e pensativa entrei em águas profundas desejando me perder para que algum pescador solitário me encontre e, em noite de lua cheia, arme sua rede para comigo pescar estrelas.

Um comentário:

cArLa disse...

Que lindo! Trouxe-me até um sorriso! Acho que se entrasse no mar, então, também seria "pescada".