Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

A Liberdade das Asas





Caminho pelos desertos de mim à procura do que fui um dia: se lagarta, o casulo não me serve mais, pois nas asas de uma borboleta eu ganhei vida e, hoje, sacio essa fome de mim recolhendo fragmentos de minhas asas para me recompor.

O invólucro não me seduz e o porto seguro já não me atrai. Quero a liberdade das asas, dos ventos e das manhãs primaveris, para pousar nas margaridas e, junto a elas, sentir a brisa em meu rosto saudando um novo dia... Um outro recomeço. Chega de fazer promessas que não posso cumprir. De iniciar o ano com uma lista interminável de bons propósitos, se cada amanhecer traz uma nova perspectiva de fazermos diferente, o velho hábito de sofrer – sem sofrer - e nós nem nos damos conta disso.


Listas não servem pra nada, pelo menos, não nesse caso. Elas falam a linguagem do cotidiano, da mesmice, e, muitas vezes, o que estamos precisando é de uma boa corrente de ar, de uma arejada nas idéias pra botar fora os sonhos obsoletos, e os desejos irrealizáveis...


Por isso, viajo pelos desertos de mim a princípio adejando, e logo depois, alçando vôos em direção ao infinito, que é o limite da minha capacidade de sonhar e de me refazer.

5 comentários:

www.http://floresdopantano.blogspot.com/ disse...

Mãe,
Obrigada pela visita ao blog.
Seu texto tb está super legal - viva os recomeços!
Beijos

Jorge C. Reis disse...

Poesia em prosa. Lindo. Bj

Debora Bottcher disse...

Oi, Juliêta,
Obrigada por me ler na Cronica do Dia. Agradeço também sua identificação com o que escrevi. De certa forma, nossas palavras são sempre as mesmas - a gente, apenas, não consegue expressar-se em alguns momentos... Adorei seu blog.
Beijo pra vc.

cArLa disse...

Juliieta, suas palavras são sempre tão bonitas e profundas. Sempre me deixam pensando... pensando...

Dani Almeida disse...

Obrigada pelo comentário carinhoso em meu blog e parabéns pelo belo texto.
Lindo.