Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Segredo







Feito nuvem de algodão doce a brincar com os meus sentidos, a tela do computador me convida a escrever sobre as saudades que venho acumulando ao longo dos anos. Hesito por saber-lhes românticas e, por que sei que logo vão lhes dar nomes, endereço e carteira de identidade. Mas, como resistir ao convite se vivo submersa em lembranças de um passado ainda tão recente.

Gosto, sim, de escrever sobre o amor. Coleciono saudades. Misturo lembranças de amores vividos com fantasias, e assim, componho os meus sonhos. Porém, não há destinatários para as minhas palavras de amor a não ser o próprio amor. Ele, e somente ele, tem a chave perdida dos desejos secretos, para cuidar dos meus devaneios dando-lhes abrigo, acariciando o meu coração em noites de tormenta.

Portanto, não ousem jamais atribuir nomes as minhas saudades, porque de verdadeiro só existe o que sinto, o mais são trocadilhos de palavras que os incautos se apropriam para saciarem as suas vaidades.

2 comentários:

C. S. Muhammad disse...

Pois continue sentindo e escrevendo... enquanto a gente acompanha desejando mais
bjs

Dani Almeida disse...

Demorei demais para ler esse texto.
Minha opinião? Sensacional!
De um lirismo e uma sinceridade encantadores!
Lindo, lindo, lindo, Dona Ju!