Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

terça-feira, 16 de junho de 2009

Emoções Perfumadas





Um cheiro de terra molhada, aroma de comida caseira e um som nos leva ao passado e faz aflorar as nossas emoções. O tempo alterou o relógio das horas e aos nossos olhos a paisagem mudou, mas para o coração o arrepio da pele ainda é a linguagem das lembranças que não querem partir.

De onde vem o cheiro, o aroma e o som que revolvem memórias e plantam saudades no terreno das recordações? Vêm de lugares longínquos e das ruas que, até hoje, passeiam dentro de nós com seus odores reacendendo a velha chama das emoções perfumadas: é uma chuva miúda que molha a grama e desperta o perfume da terra trazendo um arco-íris em forma de jardim; é um fogão à lenha desenhando carinhos e cuidados em gestos cotidianos, que alimentam, afagam e vão deixando uma fragrância no ar capaz de refazer todo um caminho de volta, num momento como esse, em que as saudades esquecidas estão em repouso no baú dos tempos perdidos; é um som de acordes melancólicos que misturados ao crepitar da madeira abrasam o corpo frio, pois um inverno de saudades faz chover no coração. São as recordações que chegam e partem, redesenhando emoções.

O tempo que a tudo transforma alterou a paisagem, mas a fonte das nossas lembranças é inexaurível. Dentro de nós há um livro aberto repassando páginas, recontando histórias e trazendo à tona, fatos e personagens que resgatam um pouco da nossa vida e do passado... Gosto de olhar para essas folhas, em seu tom de sépia, e sentir o ar carregado de uma fragrância que envolve e encanta. São memórias cinzeladas em nosso coração perfumando o ambiente e o arrepio da pele, é a tradução da linguagem do corpo respondendo ao que ficou esculpido em nossa alma. Basta um cheiro, um aroma ou um som e nós viajamos para o mundo encantado das emoções atemporais...

12 comentários:

adelaide amorim disse...

Muito bom ler seus textos!
Um grande abraço.

Gisele Amaral disse...

ê, sensação fantástica!

um cheiro.
=*

Nina disse...

Ahhhh esse cheiro de terra molhada... ahh meu Deus, só me lembra o jardinzinho da nossa casa na vila militar depois de uma chuvinha fina, como eu gostava!

vc traz de volta tbm boas memórias minhas Juju!

entremares disse...

Às vezes, esquecemos os aromas...
Falamos das memórias, do que fizemos, do que vimos, revê-mo-nos a fazer isto ou aquilo... e esquecemos os aromas.
Enquanto lia o post... lembrei-me do acender do fogão a lenha, da enorme glicinia da casa dos meus pais,do capim molhado depois da tempestade. E tudo isto foram aromas que, de repente, voltaram à vida e me transportaram de novo a esses lugares mágicos que são a nossa infância ou adolescência...

Portanto... obrigado, Julieta.

Mírian Mondon disse...

Que lindo texto Julieta! Que vontade de ler e reler!
Tambem gostei muito da sua postagem da Tertúlia! Achei uma graça voce reclamar minha ausência :) Voce não existe!
Sabe que preparei a postagem para participar mas como não teria tempo suficiente para as visitas não participei. Mas quis muito, para não perder textos como esse seu.
Parabens por essa delicia de blog!

Beijos

C. S. Muhammad disse...

Viu, Juliêta? E você ainda tem a modéstia de não perceber o quanto sabe usar as palavras. Fiquei emocionada, pois certos cheiros me levam às lágrimas, pelas lembranças (boas) que trazem.
Um beijo grande!

Paula disse...

É verdade. Meu lado mais aguçado nesse aspecto é o do som, cada momento da minha vida tem trilha sonora.
Bjos,
Paulinha

Sueli disse...

Muito lindo! Sabe, eu fiz algo, arranquei todas as folhas que falavam de tristeza. em meu livro só deixei os bons momentos. De vez em quando eu o folheio, assim como você fez. É bom. Beijo!

Mírian Mondon disse...

Oi Julieta!
Dessa vez fui eu quem te procurou na blogagem da Nade :) Também senti sua falta. Mas entendo, não dá tempo para participar de tudo.

Obrigada pela visita e pelas gentis palavras lá no Café!

Abraços

Andreia disse...

Lindo seu texto!
Adorei! Bjsss e uma linda semana...

Silmara Franco disse...

Oi, Juliêta!
Só hoje vi seu comentário no blog da Nina (Crônicas de uma menina feliz), no dia em que ela publicou minha história sobre os meus aniversários (25/05). Obrigada pelo seu carinho. Espero que você tenha se lembrado de mais algum aniversário seu, além daquele dos tempos de faculdade... rsrs
Um beijo.
Silmara Franco
www.fiodameada.wordpress.com

Letti disse...

Julieta querida,
Que lindo isso. Senti uma aproximidade, um aconchego com as tuas memórias quando li (acho que consegui ver), o tom de sépia... :)
E, é preciso dizer: você também precisa escrever mais, viu!?
Beijo grande.