Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Silêncio e Cumplicidade







Todos sabem que, nas relações profissionais e pessoais, é de fundamental importância a capacidade que temos de comunicar ao outro a nossa maneira de pensar e ver a vida, tendo em vista um relacionamento baseado na verdade e no respeito, pilares indispensáveis na construção da confiança, da credibilidade e de uma amizade verdadeira.
Pensando nisso, vejo o silêncio - usado por quem refuga a verdade e a honestidade – como causa de sofrimentos desnecessários: é o médico que oculta o diagnóstico de uma doença terminal, porque julga que assim é o melhor; o amigo que escamoteia os fatos para obter vantagens; aquele outro que dissimula a inveja e o ciúme e se esconde no mutismo e na ausência; o ser amado antes presente e amoroso e, agora, manipula o silêncio como meio de fugir ao diálogo. Esses e tantos outros motivos usados habitualmente trazem, no bojo, uma verdade: é um recurso usado para fugir da força que têm as palavras.
Em conseqüência disso, temos a perda da confiança e da credibilidade, do distanciamento e das reticências no discurso amoroso. Ao paciente foi tirado o direito de decisão e como resultado foram-lhe subtraídos alguns momentos de felicidade, aos amigos a possibilidade do entendimento e ao ser amado, o respeito e a admiração, razões pelas quais o amor floresce.
Por tudo isso, só nos resta lamentar que o silêncio, arma dos fracos, possa detonar o verdadeiro sentido da convivência humana provocando o isolamento e a solidão, pois viver e conviver requer coragem e na ausência das palavras se instauram as dúvidas, se diluem os afetos. Ninguém precisa usar de crueldade, ironia ou desprezo pelo outro, nem dizer verdades que magoem mais que uma ‘mentira necessária’, mas convenhamos que, o silêncio usado como arma de manipulação, necessita ser revisto por todos que têm como meta um relacionamento mais saudável, humano e honesto.

Um comentário:

C. S. Muhammad disse...

Pois é, Juliêta. Como me cansam essas pessoas que usam de "franqueza" para magoar os outros a torto e a direito.
Texto muito sábio e bonito.
Beijos