Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Pausas





Não dê pausas à vida! Esse foi o conselho que eu dei a alguém que estava a interpretar os sinais que andara recebendo por esses dias.

Por que será que estamos, na maioria das vezes, adiando decisões e empacotando felicidades para serem usufruídas mais tarde?
Há sempre um amanhã... Um depois... Um quando eu estiver pronto... E a vida feita de pausas vai passando em desacordo com o relógio do tempo. Quando nos damos conta, o que temos é um corpo gasto, cansado, arrastando-se por aí, atrás de uma juventude perdida, de um ideal não concretizado, de uns minutos a mais para viver na UTI da felicidade. O que temos é uma alma vestida de palavras suspensas: quase, talvez, quem sabe um dia e, depois, um coração atormentado pelo “se”: se eu tivesse dito, feito, ido, amado.
E o tempo escorrendo por entre os dedos, feito areia da praia, nos diz: agora é tarde!


Decididamente, eu não gosto de pausas. Eu tenho fome de viver!

sábado, 24 de janeiro de 2009

Perdidos e Achados



Ao entardecer saí para caminhar na praia. O mar em movimento de fluxo e refluxo esvaziava as suas águas em baixa maré.
Olhando a distância vi um pequeno grupo de pescadores com o olhar atento ao que as ondas depositavam na areia. Andavam de um lado a outro, sempre em linha reta, disputando espaços.
Aproximando-me, perguntei a um deles:
“-Moço, posso entrar no mar ou tem algo estranho acontecendo?” Respondeu-me:
“-Pode tomar seu banho tranqüila. Nós estamos aqui esperando os perdidos.”
“-Perdidos?” Indaguei-lhe curiosa.
“-Sim, os perdidos que o mar sempre devolve”. Disse-me ele.
Olhei-o mais uma vez, e pensativa entrei em águas profundas desejando me perder para que algum pescador solitário me encontre e, em noite de lua cheia, arme sua rede para comigo pescar estrelas.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Seguindo os teus Passos





Sigo os teus passos porque eles me dizem que o infinito é logo ali. Arrisco, e na areia deixo registrada as pegadas dos meus sonhos. Cato conchas e colho estrelas para bordar em meu vestido. À noite me visto de amor e te espero. Ainda sou tua.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Asas da Esperança






Nas asas da esperança eu me abasteço de sonhos. Lanço um novo olhar em direção ao amanhã, que sempre se anuncia como oportunidade de reescrevermos a nossa história e reflito no quanto desperdiçamos as horas, que podem ser usadas de uma maneira bem mais proveitosa e feliz.
Alço vôos inimagináveis em meu mundo de fantasias e sonho. O meu momento é de desconstrução: penso em rever o arquivo de minhas memórias para deletar o que passou, afinal de contas, não se volta ao passado com o presente batendo insistentemente à nossa porta.
Mas aí, o silêncio traz você em forma de saudades e viajamos juntos outra vez, em meu mundo de faz-de-conta. Sonho! E o meu momento é de construção: pego um barco chamado desejo e atravesso um mar de possibilidades. Lembro a nossa história de amor e embarco de vez para a terra da felicidade onde você e eu debutamos o primeiro amor.
Relembro!
(...)
De volta ao mundo real o presente me solicita! O tic-tac do relógio me lembra o passar das horas.
Desperdício do tempo?
Carpinejar me desperta do sonho, dizendo que sim.
“Um amor atrasado não é amor. Um amor atrasado é amizade depois de um amor que não aconteceu.”

Recolho as asas da esperança!

domingo, 18 de janeiro de 2009

Declaração de Amor



Olho através da janela e rasgo o véu da noite. Colho estrelas e estendo-as uma a uma no varal dos meus sonhos.
Rezo e peço a Deus que qualquer dia desses, tu sejas uma delas e eu o tenha por toda a vida.

Pela manhã o sol invade o meu quarto e em sorrisos aquece o meu corpo com o seu abraço, convidando-me a fazer amor em sua cama. Sigo-o dócil e obediente, ainda que, o meu desejo em chamas já tenha denunciado toda a ansiedade da espera.
Sou tua por mais um verão embora deseje sê-lo por toda a vida.
Abraço-te e em tuas águas ouço a canção do teu silêncio. O balançar suave de tuas ondas me enche de alegria e eu me dôo inteira ao teu amor.

Sou a tua amante mais fiel e a minha pele morena é a marca registrada da tua posse. Me tens, sempre que quiseres, sou a tua escrava branca ansiando a negritude da tua senzala.

Amo-te!

sábado, 17 de janeiro de 2009

Feliz 2009




São 15 horas de uma sexta-feira do dia 02 de janeiro de 2009 e eu acabo de chegar ao apartamento que aluguei na praia de Ponta de Campina.

Uma solidão gostosa se instala de repente, fruto do prazer que tenho em minha própria companhia. O resto da tarde e a noite serão minhas.
Lá fora, ele – o mar - me espera e, aqui dentro, uma taça de vinho para aquecer a minha alma. Em minhas mãos está um lápis ávido por destravar palavras presas na garganta e preencher espaços em branco nesta folha de papel. Saudades do teclado!

Uma quietude e um silêncio me transportam ligeirinho, para o meu mundo de fantasias. Penso: Como estará a minha vida daqui a alguns anos? E começo a tecer os fios dessa trama criando um bordado feito das escolhas que fiz. Não há tristezas nem arrependimentos! Começaria tudo outra vez, não mudaria uma vírgula do que já passou. O que aconteceu me transformou na pessoa que eu sou e ninguém é mais feliz que eu com a própria imagem. Gosto do que me tornei. Sem narcisismo! Conheço cada parte do meu corpo e sei como ele reage quando se multiplica em pedacinhos procurando colo e cola para viver inteiro.

Aprendi a compor uma cocha de retalhos feita dos pedaços de felicidade que a vida me deu. E ela me foi generosa: realizei sonhos, amei e fui amada, e de quebra, nesse ano que se inicia, ainda recebi esse mar que em suas águas, minhas lágrimas se confundem com saudades de você.
Feliz 2009!

domingo, 11 de janeiro de 2009

Despedindo-se das Saudades




Através da janela daquele ônibus que a levava, agora, a um destino certo, ela viu passar uma a uma as suas lembranças. A lágrima furtiva que teimava em cair denunciava que uma dor estava prestes a partir. Simbolicamente, aquela última parada, de uma viagem de muitos dias, significava um ponto final tantas vezes ensaiado em sua antiga história de amor.

Com o olhar perdido em um mar de lembranças, ela tentava conter aquela torrente de saudades que desfilavam na mesma velocidade com que trafegava o ônibus. Como ela desejava que o motorista fosse solidário com a sua dor e acelerasse a 380 km por hora a fim de acabar todo aquele tormento.
Anos a fio viajando com uma mala velha cheia de recordações dolorosas e, só agora, lhe parecia um peso insuportável de se levar.

Uma dor lancinante lhe indicava que estava na hora de enterrar os seus mortos. Pausadamente, ela colocou a mala no chão e foi tirando peça por peça, numa tentativa de esvaziar também aquela dor que lhe oprimia o peito. Um oceano de lágrimas jorrou em sua face e ela prometeu a si mesma nunca mais amar igual.

(...)

E o deixou, finalmente, abandonando ali as suas saudades.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Página Virada





Fui espiar o tempo e vi que precisava me aquecer. No varal encontrei tuas cartas lavadas.
Eram tantas as mentiras e tão falso o teu amor que respingou na fogueira da minha paixão e apagou o fogo do meu desejo. És uma página virada de um amor que nunca aconteceu...