Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Essa tal Felicidade!



O que me dói é não saber certezas. É não ter as respostas antecipadas para os “se”.

E se eu tivesse aberto a porta do meu coração para aquele novo amor, o que teria acontecido? E se tivesse vivido aquela paixão avassaladora, que me consumiu dias e noites, qual teria sido o seu fim? E se tivesse dado asas àquela voz tentadora despejando ternuras ao meu ouvido, cada vez que eu atendia ao telefone. O que poderia ter surgido a partir daí? E se tivesse feito àquela viagem... Aquele curso? Oferecido o meu perdão, o meu ombro amigo. Quais seriam as conseqüências de tudo isso?


É, são tantos os “se” e tantas as possibilidades de se viver, quando deixamos o conforto da janela de onde vemos a vida passar, para abrirmos a porta ao inesperado, que somente aqueles que se arriscam são capazes de vivenciar.


Por vezes, tememos que essa e não aquela atitude, que esse e não aquele caminho seja o melhor. Mas esquecemos que escancarar a porta nos dá uma visão do todo, possibilita a entrada do ar que nos dá a vida. Que da janela o que temos é apenas parte da paisagem; enquanto que a porta significa a liberdade do primeiro passo. Asas para voar! Livre, leve, solto e ainda correndo o risco de ser feliz.


Pagar pra ver, eis o preço dessa tal felicidade!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O Encontro



Havia se passado tantos anos e ele, agora, ali parado, trazendo em suas mãos, as nossas cartas de amor.
Gotas de chuva misturavam-se às lágrimas de alegria. Eu chorava por dentro!
A poeira do tempo levara consigo o marcador das horas.
Naquela noite, o meu amor tinha a idade dos meus 15 anos.
O relógio parado desistira de contar o tempo, diante da resistência daquele amor, que não se rendera ao passar dos anos.
Ali estavam ele, ela e um amor guardado por quase meio século dentro de uma caixinha de veludo.
(...)
Que pena! Fui ao seu encontro nas asas dos meus sonhos, mas você não se vestiu de amor...