Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

segunda-feira, 16 de março de 2009

Tempo de Janela



Espreito a vida através da janela.
Lá fora tudo é movimento. Aqui dentro, também!
Lá, o mundo explode em guerras, inundações, fome, abandono, abuso, inflação e desemprego.
Aqui, uma implosão decreta guerra à minha fome de amor e torna árida a terra prometida dos meus sonhos...


Uma saudade inunda a casa do meu coração e não encontrando inquilino, abusa do seu direito de ir e vir, provocando aumento constante em meus batimentos cardíacos.


De tanto esperar o meu coração deu férias coletivas ao amor, à paixão, à emoção e deixou que a razão desse aviso prévio à saudade.
Saio da janela e abro a porta. A vida real é lá fora. O presente me espera. Vou à luta!

sexta-feira, 13 de março de 2009

O Desejo


Tomei posse do meu desejo e com ele saí por aí, catando a minha ‘liberdade de ser’.

Quando vim ao mundo não entreguei a ninguém o meu livre arbítrio, nem passei escritura pública dos meus anseios. Fui tatuada com o signo da liberdade e é em nome dela, que exijo respeito ao meu desejo e a minha distinção.

Onde está escrito que eu tenho que abrir mão da minha individualidade, para massificar o meu pensamento e me tornar igual?”
Não, mil vezes não! Sou livre e o meu querer é soberano, pois ele é fruto da minha liberdade de escolha.
... E por ela, só eu respondo.

domingo, 1 de março de 2009

A Outra








Agora, danou-se! Lá vem ela outra vez...
Basta uma chuva miúda, um som de piano e um arco-íris apontando no ar, para que a mulherzinha, a quem ela deu abrigo por tanto tempo, apareça para perturbar.


Esgueirando-se sorrateiramente por entre as notas musicais, ela marca a sua presença – ainda que a intenção não seja essa - de maneira que já não dá para passar despercebida. Um certo brilho no olhar e uma lágrima furtiva, que caí distraidamente, revela a emoção que tanto teima em esconder.
Lá se vão os bons propósitos e aquele projeto de começar uma vida nova, sem espaço para sentimentalismo barato, nem sonho romanesco... Ela está de volta! Com seu amor carmesim, vivo e intenso, tecendo fantasias irrealizáveis e celebrando pactos com a eternidade.


De nada adiantou perguntar ao meu coração o que ele desejava! A decisão clara e evidente, explícita na resposta: “-Enterrar o passado! Ocupar espaços plantando sementes de amor e colocar em degredo este estado permanente de saudades,” não arrefeceu o desejo – dela - de viver um amor hollywoodiano, tipo: “Uma Linda Mulher.” Ela, também quer o seu conto de fadas!


E agora, interno essa louca ou não? O que fazer com essa mulherzinha que, em pleno século XXI, ousa desafiar a lei das relações descartáveis, do fica-fica produtivo, do beijinho, beijinho, bye, bye, em nome de um sentimento tão démodé?


A resposta não se faz esperar: - manda essa desvairada de volta ao passado, dá-lhe de presente um luar, um violão, um céu bordado de estrelas e um amor com jeito de eternidade, só assim, ela sossega o facho!
Quanto a mim, prefiro me adaptar as novas leis do mercado e dele tirar proveito... Beijinho, beijinho, bye, bye.