Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

domingo, 7 de junho de 2009

Sem Título





A nossa passividade ante a miséria humana nos torna cúmplices de um crime: a omissão. Até quando o silêncio da nossa indignação abafará o grito da nossa consciência?

Obs:Veja"MeninosdeDarfur" http://entremares.blogs.sapo.pt/

sábado, 6 de junho de 2009

Coleção de Saudades






Num entardecer feito de sonhos, onde o outono – ante-sala das lágrimas do céu – executa no ar o balé das folhas secas e nos remete de volta ao passado, eu aquieto as minhas dores visitando o antigo porão. Lá, adormecida em um velho baú e distante das garras do efêmero, guardei a minha coleção de saudades: são cartas, fotos e pequenas lembranças, miudezas de um tempo que um dia sonhou com a eternidade.

O vento frio que açoita a minha alma, neste momento, abre a janela do meu coração e eu me rendo diante da evidência de uma saudade tão teimosa: é você outra vez, povoando os meus sonhos juvenis. Tenho em mãos o velho baú e dentro dele reminiscências de nós dois que, uma a uma, vão assumindo o controle do meu pensamento, abastecendo de alegria, de emoção e de sorriso - o mesmo sorriso fácil que naquela época espelhava a nossa felicidade – os meus dias atuais.

Vivo assim, imersa em saudades e, por isso, quando a solidão me visita não me encontra despovoada. Em terreno fecundo plantei boas recordações e no meu sítio de memórias a colheita é sempre abundante. Aqui, nos espaços interiores onde caminho silenciosamente e as ausências são mais sentidas, faço-me peregrina das boas lembranças e transformo o meu cotidiano em um novo celeiro de felicidades.