Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Para Meu Filho, Gilberto







- E aí, coroinha, tu me amas?
- Sim, meu filho, eu te amo!
- Pouco, muito ou uma exorbitância?
- Uma exorbitância!
- Se eu morrer, tu choras?
- Choro.
- Pouco, muito ou uma exorbitância?

Era dessa maneira – com esse diálogo - que entravas em nosso lar e feito um furacão pedias casa, comida, roupa lavada e de quebra um amor incomensurável (sem cobranças, é claro!) capaz de abrigar os teus anseios e curar todas as tuas carências.

(...)

Mas, de repente, se fez silêncio. Um silêncio incômodo! Que fala de ausência e de saudades... Olho a mesa posta e ouço a canção: “Naquela mesa tá faltando ele e a saudade dele, tá doendo em mim”.

- Penso: será que exerci o amor de mãe em sua total plenitude? Será que falei que te amava o suficiente para te abastecer de certezas pelo resto de tua vida?

- Não sei! Amor por mais que se dê, ainda é pouco, dirão alguns.

Se pouco, se muito ou uma exorbitância, eu não sei. A verdade é que eu te amo o bastante para te ver crescer e ir embora; ainda que isso me doa, para te ver trilhar caminhos nunca antes percorridos; ainda que isso me incomode, para te imaginar nas fronteiras do perigo; e ainda assim, te incentivar a partir.

Amo-te tanto e tão intensamente, que ao te colocar no mundo deixei meu coração em aberto, só para abrigar todos os teus sonhos como se fossem meus.

Amo-te tanto e a tal ponto, que vivo brigando com as horas que se esvaem, que se esgotam e mal me dá oportunidade de falar de amor, de ajeitar carinhos e construir ternuras.

“O Tempo não Para” já dizia o poeta Cazuza. Por isso, quero aproveitar, hoje, da urgência do meu sentimento para eternizar nessas poucas linhas o amor, o respeito e a admiração que sinto, por ti, meu filho.

Amo-te tanto que, diante do silêncio da tua ausência, resolvi dizer que a saudade é tamanha, que o tempo resolveu zombar de mim porque ele sabe passar e eu não sei...

Sinto a tua falta!

8 comentários:

lis disse...

Juliêta
um amor irrestrito capaz de se doar todo dia é assim o coração de mãe.
uma exorbitância !
achei lindo esse amor explícito e imensurável ao seu Gilberto.
obrigada por quebrantar meu coração com suas palavras, sempre.
abraços

Chica disse...

Lindo e emocionante.Sentimentos expostos lindamente!beijos,tudo de bom, fica bem,chica

manu disse...

Oi Julieta
Nesta ausência de que fala e da saudade que dói com a partida de um pouco de si, me sinto cúmplice das suas palavras quando me lembro também de todas as partidas do meu filho. Como a compreendo!
Une-nos o amor de mães que mesmo na distância se ligam pelo pensamento constante... o tempo zomba de nós, mas é incapaz de desligar ou quebrar elos indestrutíveis.
Beijo enorme
Manu

Sueli disse...

Amiga, sabe que estou com os olhos lacrimejando? Sei muito bem desse amor. Como sei! Esse amor é tão grande, tão profundo, tão exorbitante, que só de vê-la citando-o, já me emociono toda e evidencio o que sinto pelos meus "amores". Lindíssima homenagem! Digna da mãe maravilhosa que eu tenho certeza que você é. Beijo grande!

Chica disse...

Volto aqui pra te agradecer o grande carinho lá deixado. Te desejo uma semana cheia de coisas bem boas!beijos,tudo de bom,chica

lis disse...

Vim agradecer o comentário simpa´tico dessa doce menina e deixar um grande abraço

perdi o contato com o blog da sua menina! dê de novo o endereço ,ok?

Lorena Melo disse...

Dona Ju!!!
A cada dia que passa te admiro mais!! A sra. é puro amor... dedicação... sempre com a palavra certa no momento certo!!!
Me emocionei com esse texto... mais uma vez!!

Lorena Melo disse...

É verdade... acho que o amor é isso... é querer bem, abdicar da própria felicidade pela alheia... é sublimar erros e se deixar partir, sabendo que é o melhor a fazer, mesmo que o coração não aceite. Muito bonita demonstração de amor!!!