Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Na Pausa da Fotografia




Ah, esses nossos professores de redação! Sempre a nos exigir que economizemos a vida em poucas linhas. Pensando bem, ela parece caber, toda, na pausa daquela fotografia.

Olho para o quadro na parede e vejo que a imagem está ali, mas a vida, não! Essa corre lá fora... Ali está apenas uma cena em pausa melancólica pedindo providências, exigindo outro roteiro, outro rumo, uma nova direção...

Aquela foto desbotada era uma metáfora do que fora a sua vida até aquele momento: uma espera sem fim, por um amor, que ficara na pausa de uma fotografia.

Por um longo período ela deixou que a sua alma vivesse em desalinho. Respeitou lacunas e silêncios... Pensava: não tenho problemas com a solidão! Mas, é certo, que lhe doía aquele amor que não respeitava o tempo e, ainda hoje, batia à porta do seu coração dizendo: queria que ele estivesse aqui!

Vivia antecipando saudades para apaziguar a sua alma blindada, devastada, desabitada. Há anos que não cabia dentro de si. O amor por aquele homem ocupava tempo e espaço que eram seus. “Vivia como estrangeira de si mesma: sem alma, sem DNA, sem código genético.”

Vivia! Pois, a partir daquele momento, ao olhar o quadro na parede, resolveu fazer uma escolha: entre ele e eu, escolho a mim. Quero, hoje, um amor que me procure; que venha bater a minha porta e que tenha a coragem de dizer que precisa de mim. Porque é assim que eu sei amar. INTEIRA!

Então, olhou novamente para a vida estagnada na pausa daquela fotografia e concluiu: agora chega, acabou! E, aquela frase ecoou dentro dela, como um aceite de um tempo que chegara ao fim.





6 comentários:

Carlos disse...

Quando se ama, o adeus, muitas vezes repetidos... é uma fuga que um dia fará pararmos para descobrirmos que fugimos em vão. Pois o amor quando verdadeiro não faz exigências e ama simplesmente o outro comno ele se apresenta; uma alma em evolução.

Abraço fraterno,

Carlos.

Lis disse...

Oi Juliêta
Voltando super rapidinho só mesmo pra te abraçar e dizer que sua amizade é muito importante, me faz bem renovando portanto essa cumplicidade nas palavras e nos abraços que mesmo distantes são fortes e sentidos.
Só volto pra casa ao soar dos tamborins do carnaval. Aí o Rio que me espere!! rsrs
beijinhos

volto depois pra falar sobre o texto sempre brilhante.

manu disse...

Oi amiga Julieta
Parece que o professor lhe mandou fazer uma nova redacção.
Esse professor chamado Tempo, que lhe mostrou que outras palavras deveriam ser escritas, para que se possam reconstruir caminhos, recomeçar, desapegar e abrir-se para o novo, para o amor!
Abrace essa causa, ame por inteiro depois de desbloquear seu coração.
Passado já era, importa o agora, este momento que ninguém pode tirar e disponha-se a viver uma nova vida plena de felicidade.

Beijos
Manu

zuleid disse...

Olá Juliêta!
Obrigada pela visita e pelas palavras tão carinhosas e doces deixadas por lá!
Estive por aqui antes mas só hoje volto pra dizer que somos cumplices na maneira de ver a vida e de retribuir os presentes recebidos. Acredito como a Manu do post anterior que o professor tempo está lhe dando uma nova oportunidade de escrever a mesma história com uma linguagem atual...
Veja com os olhos da aurora o sol que insiste em nascer mesmo quando ainda faz noite em nossa alma...
Acredite na vida e em sua plenitude!
Beijos!
Volte sempre!

Juliana disse...

Mãezinha,
A inspiração vem de todo lugar:de uma canção, de uma leitura, de uma conversa... O que a senhora fez foi converter algo "de fora" em um texto despudoramente seu, cheio de sentimento e quase autobiografico.A cada dia me emociono com o profundo e lírico de suas palavras. Amo você.

Sueli disse...

Querida Ju, tão corrida tem sido minha vida que hoje resolvi levantar mais cedo para visitar os meus amigos blogueiros e, como sempre, delicio-me com tudo que escreve. Esse texto faz-me lembrar de algo semelhante, quando da amarelada foto, eis que surge a outra pessoa e torna-se real. Mais do que no passado. Talvez, em breve, eu tenha essa história para contar... Vamos aguardar. Beijo grande, minha flor!