Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

domingo, 17 de abril de 2011

Quero ser Clone de Mim






Passando os olhos por uma revista, na banca de jornal, cuja capa trazia a imagem da bela atriz Elizabeth Taylor, deparei-me com esse comentário: “ela foi a mulher que toda mulher queria ser, a mulher que todo homem queria ter”.


De imediato, pensei: não, eu não quero ser a Liz Taylor! Nem ela nem ninguém! Nunca quis. Sempre estive ocupada em ser apenas eu.


Não desejo me transformar em clone de ninguém, pois, venho ao longo do tempo, me construindo para ser quem sou, e, confesso: gosto muito do resultado. Não quero, agora, abrir mão dessa conquista para ser outra pessoa.


Felicidade, para mim, não tem receita, mas ela está refletida em meu rosto, quando olho para o espelho e vejo o tanto que aprendi no exercício de ser quem sou.


Nas minhas noites de vigília, lembrei-me de quem tinha fome, sede e frio, e ofereci alimento, aplaquei a sede e dei abrigo. Os meus braços, hoje, flácidos, já serviram de agasalho e proteção contra as dores do mundo, e o meu colo, de refúgio, para esconder o pranto.


Cada ruga, em meu rosto, conta uma história de amor, que fala de perdão, tolerância, compreensão e solidariedade. Não vou, agora, fazer cirurgia - nem aplicar botox - para apagar o melhor em mim e ser quem não sou.


Por isso, a essa altura da vida, continuo querendo ter a minha cara: ser clone de mim! E, se algum homem não me escolher por eu não ter a beleza da Elizabeth Taylor ou de outra pessoa, terei muita pena, pois ele não sabe o que está perdendo...

8 comentários:

AC disse...

Juliêta,
Ah, as revistas, os estereótipos que criam para vender...!

Beijo :)

Ayanne Sobral disse...

Ah, que lindo! Você brinca com as palavras tal qual o artista circense com os malabares.

Beijo de admiração.

✿ chica disse...

Muito legal.Nos aceitar e saber de nós, como somos, fica muito melhor e mais fácil! Nos aceitar como somos!beijos,chica

Manu disse...

Uma bela postura que perfilho.
Ninguém pode fazer cirurgia plástica ao que de bom alcançaste, ao muito que deste, ao quanto te entregaste, ao amor que dedicaste, aos sorrisos que espalhates e essa é a maior beleza que uma pessoa que está de bem com a vida pode alcançar.
O exterior é apenas uma capa que um dia desaparecerá, mas ficará para sempre a alma pura de quem pautou a vida por valores e accções que nunca envelhecerão.

Beijo enorme
Manu

C. S. Muhammad disse...

Querida,
Que bom que me achaste! E volto a dizer: que bom que exista uma única Juliêta!!!!
bjs

Carlos disse...

Olá Julieta.

Uma pessoa que valoriza as aparências é uma pessoa míupe.
Não é o teu caso, portanto desnecessário é externar outros comentários, pois nas entrelinhas lê-se personalidade,altivez, como qualidades suas.
Abraços fraternos,
Carlos.

Cacá - José Cláudio disse...

Maravilha! Eu acho que sem identidade não somos nada. No fim, se a pessoa buscou uma existencia inteira por fecundidade, não será depois de tanta luta e dores e alegrias que quererá ser sombra do outro. Postura digníssima.

"Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!"
(do Cântico Negro, de J. Régio)

Abraços. paz e bem.

Socorro disse...

Você foi dez neste texto!
Que DEUS te conserve sempre com esse ideal de beleza. Abreijos, Socorro.