Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

domingo, 15 de janeiro de 2012

O Outro e Você




“Somos todos filhos do tempo e ele está nos devorando diariamente, desde o momento em que nascemos”.

Por que será, então, que vivemos ou projetamos a vida sempre no futuro?

A resposta, talvez esteja no fato de que ao levá-la para o porvir, nos sentimos confortáveis em retardar o exercício do amor e do cuidado. O olhar para o outro, seja ele pai, mãe, filho, irmão, parente, amigo ou amante, é de eternidade. Pensamos que todos estarão lá, ao alcance de nossas mãos, na hora e na data marcadas pelo relógio da nossa conveniência, ou seja, no nosso tempo! No tempo do nosso egoísmo e descaso, da nossa arrogância e desamor, do orgulho e da vaidade que sempre ditam as normas, quando o assunto é cuidar do bem-estar do próximo.

Betinho, irmão do Henfil, sabiamente nos advertiu: “quem tem fome - seja do que for - tem pressa”. Não existe amanhã para quem tem os olhos da memória voltados para o terreno infértil das ações e atitudes que nunca saem do papel ou do mundo das ideias.

Tempo! Palavra que, hoje, habita o terreno da escassez de afetos, de carinho, de respeito e de consideração. Estamos todos desaprendendo que “somos tão menos, um sem o outro” e, que, nada é permanente a não ser o passar das horas.

Precisamos desacelerar o passo em direção ao futuro para vivenciarmos a liturgia dos afetos e o exercício do amor; esse amor que pacifica os nossos dias e nos alerta que a eternidade é, tão somente, um jeito frio de prolongar o desamor, a fome, a miséria e, também, uma maneira simples de dizer: eu não me importo!

E, se no lugar do outro fosse você? O que faria?

5 comentários:

AC disse...

Tem razão, Juliêta, é necessário desacelerar.
Não vai ser fácil, pois o ritmo imprimido tem sido tal que, praticamente, já ninguém sabe quem é quem, apenas conhece as fronteiras dos muros em que se isolou.

Beijo :)

✿ chica disse...

Concordo...Estamos vivendo sempre correndo e por vezes ,esquecendo o hoje... beijos praianos,boas férias também pra ti,chica

George Sand disse...

Somos filhos do tempo e enteados da eternidade

Anônimo disse...

Poxa, Juliêta! Como ficou bom este texto!! ... pertinente .... verdadeiro...
Que bom ler o que escreves!...Adoro. Parabéns por todos os textos ... Gostei tanto que estou postando este texto aos pedaços.. pro povo da Face digerir de vagar.. rsss
Abraço bom...
Edson Zandonadi

Lorena Melo disse...

"Tempo, tempo, tempo...
Que queres tu de mim?..."