Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Uma Saudade



Ontem, caminhando pela areia da praia, lembrei-me de ti, Rolando. De imediato, me veio o nome de um filme cujo título era: “Nunca te vi, sempre te amei”. Lembrei também que a morte sequestrou os anos que te restavam e, pérfida, dispensou o resgate.

O que fazer agora com essa imensa saudade, meu amigo?

- Conformar-me e deslizar os olhos, diariamente, pelo “chão do infinito” à espera que uma estrela cadente me dê notícias tuas?!

- Não! Decididamente não! Porque saudade é o único patrimônio que amealhei durante esses anos de distância geográfica - entre nós - e não pretendo abrir mão dela, para transformar a tua lembrança num amontoado de cinzas.

Ontem, hoje e sempre, o que eu mais desejo é colocar lenha na fogueira que um dia acendeste, para lembrar-me de ti e das tuas palavras. Palavras que me aqueciam nas noites frias de inverno da alma...

Por isso esse texto, hoje. Desisti de ouvir estrelas. Vou ao teu encontro lá no “Entremares”. Quero constatar que a morte é só uma palavra, uma distância, um vazio. E tu, Rolando; uma amizade, um amor, uma saudade. Sempre!