Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Lições da Vida







Sou um observatório do tempo. Ele é sempre um assunto recorrente na minha escrita. Gosto de vê-lo rodar ao sabor dos dias, meses e anos, à medida que vai modificando a vida das pessoas. Como uma roda gigante ele gira sem parar lembrando-nos que nada é estável e que devemos ficar atentos, pois a qualquer momento, no palco da vida, podemos estrear um papel, para o qual não estamos preparados. É que, às vezes, a máquina do tempo nos atinge com um dardo inflamado naquilo que temos de mais caro: o nosso orgulho e a nossa vaidade. Então, nessa hora, o dia parece passar em marcha lenta e ficamos confusos diante do imprevisível...

São as lições da vida ensinando-nos sobre humildade. Não a subserviente, aquela que baixa a cabeça para quem tem poder, status ou dinheiro, mas a outra, que fala à consciência e tem conhecimento da própria limitação. Essa humildade é característica dos que têm coragem de assumir a narrativa dos seus erros, da mesma maneira que assumem os seus acertos.

Passamos toda uma existência, cegos. Ignoramos as nossas falhas, fonte de aprendizado, e seguimos pela estrada como se nada houvesse acontecido. Um dia temos saúde, amor, trabalho, amizade, dinheiro, honrarias e oportunidades de realizar sonhos, no outro perdemos tudo ou quase tudo. E, o que fazemos?

- Esquecemos! Esquecemos, principalmente, quando olhamos para o outro com olhar desdém, de superioridade e de pouco caso, como se para além do nosso quintal não houvesse nada que valesse à pena. Nesse momento, não lembramos que o tempo não para – a memória é curta – e, que, quem tem saúde, amor, trabalho, dinheiro, honrarias ou oportunidades de realizar sonhos, certamente, um dia vai precisar sentir a firmeza do chão. É a roda gigante em seu movimento descendente ensinando-nos sobre o valor da humildade. Nesse instante, é sempre bom ter uma escada por perto, pois precisamos dela para descer do nosso pedestal, antes que a queda nos enfraqueça os ossos e entristeça a alma.

Por isso, devemos manter viva a imagem da nossa finitude e da transitoriedade das coisas. Devemos, também, aprender com os nossos erros, para que mais tarde não tenhamos que percorrer, pé ante pé, as bordas esgarçadas de uma vida desperdiçada e sem sentido.

Para isso, precisamos ficar alertas, pois temos o costume de esquecer o passado, fonte de ensinamento, e de colocarmos de lado a razão, que orienta a nossa caminhada mostrando-nos, a toda hora, que tudo o que principia, um dia pode ter fim e que podemos, sim, melhorar, aprender e reaprender, sempre, com as lições da vida.

Um comentário:

Dani Almeida disse...

A palavra colocada na hora certa, o silêncio que conforta, o olhar atento sob nossos próprios erros. A capacidade de perdoar e de pedir perdão, a humildade, o braço estendido para o outro, a compaixão. Pecinhas de um quebra-cabeça que tornam infinitamente mais fácil o jogo da vida. Algumas dessas lições tenho aprendido em casa, com você. Lindo texto, mainha! :)