Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Sem Pouso e Sem Raízes



Como um pássaro de asas partidas eu procuro pouso. Um abrigo. Longe do deserto, do silêncio e da solidão...

Às vezes, como hoje, eu tenho uma vontade imensa de fazer uma declaração de amor rasgada, mas desisto na hora, quando percebo em seus olhos que já não me sinto em casa, com você. Estranho, lhe parece!?.  É que amar, para mim, é isso: esse desejo de me ver em seus olhos, de me sentir em casa e de deixar fluir a intensidade do meu querer... Uma viagem a dois!

Porém, sinto-me uma estrangeira, sem pouso e sem raízes e, por isso, não lhe falo mais sobre o meu amor que, agora, é feito de silêncios e de lembranças. Você continua vivo, em mim, sim, feito uma tatuagem que eu não consigo apagar, mas esse distanciamento entre nós diminuiu o ritmo dos meus passos e aquietou o som dos meus gemidos. E, como um pássaro de asas partidas, eu procurei abrigo.

No abrigo, transformações: quis ser águia, perder as minhas penas, me renovar.  Quis ser fênix, ressurgir das cinzas. Quis, nesse intervalo, aceitar o convite de amor de alguém e, nele encontrar um olhar carregado de promessas. Um porto seguro de onde eu jamais tivesse necessidade de partir... Porque partir foi tudo o que eu fiz desde que encontrei você.

Por isso, hoje, o pouso, o abrigo. Quero dar descanso para as minhas asas. Nunca mais deserto... Nunca mais solidão.




Um comentário:

lis disse...

Ihh Julieta que lindo !!
adoro romance assim 'rasgado' e declarações de amor são sempre perfeitas_as de ontem _porque hoje os tempos são loucos,
não há romance algum em 'ficar'não acha?
rs
Muito lírico os seus quereres !e tão bom ter os escritores-poetas que falam por nós exatamente o que sentimos em relação a perdas de amores e de sonhos
( sempre quis escrever bonito assim)rs
Parabéns Ju _ adorei!
deixo abraços e saudade!