Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

O Lamento dos Pássaros





Lá do alto os pássaros olham a paisagem e sentem pena de nós.

- Pobres humanos! Andam sempre de cabeça baixa catando ouro, comprando espaços e delimitando terrenos. Apegam-se às coisas e esquecem as pessoas. Então, um belo dia, eles acordam e sentem-se vazios. Nesta hora, os olhos da saudade miram o passado com respeito e um silêncio se impõe. Uma ausência sentida ou uma morte anunciada denunciam que o relógio correu célere. Não há mais tempo. A viagem acabou!

- Pobres humanos! Vivem todos assim: atordoados com a quantidade de coisas a fazer... Escravos da era digital não olham mais para as pessoas, desaprenderam a arte de ouvir. Sentimentos como compaixão, misericórdia e solidariedade não têm lugar nessa azáfama em que eles transformam o seu dia a dia. Esquecem que a vida é um ritual de passagem e que, cedo ou tarde, serão cobrados por esse tempo que lhes foi concedido ao chegarem ao planeta terra.

- Pobres humanos! Lamentam os pássaros. Correm como loucos atrás das horas, enquanto a vida rabisca numa folha de papel em branco, os passos rápidos que eles dão em direção ao futuro, sem ao menos se darem conta de contemplar o dia que começou a tingir-se de amanhecer.

Nos porões das suas consciências suas vozes reclamam: parem, respirem, olhem e reflitam... Tudo em vão! Eles seguem tropeçando nos dias, cegos e surdos aos apelos do bom senso, sem se darem conta de que só têm o momento presente para viver e que não há como passar uma borracha ou corrigir o que ficou para trás e não foi vivido plenamente.

Recomeçar, reconstruir – pensam os pássaros! Eis um verbo de difícil conjugação, pois para isso – os humanos - dependem da paciência, da tolerância e da capacidade de perdoar dos outros. Dos que ficaram às margens de suas vidas.

- Pobres humanos! Restringiram o seu cotidiano a uma viagem em busca de luxo, riqueza, poder e sedução e, agora, andarilhos profissionais, sem Mapas e sem GPS, perdem-se nos caminhos de volta a si mesmos. Uma viagem triste e solitária.

- Pobres humanos! Lamentam os pássaros, enquanto cantam e olham felizes para o céu azul e para o dia, este momento presente, que sempre se veste de encanto e beleza para quem tem olhos que veem.

Imagem do Blog: 
http://lis-costa.blogspot.com.br/ Um endereço para encantar os olhos e o coração.

Um comentário:

✿ chica disse...

Que lindo te ler,Julieta e os pássaros devem lamentar mesmo...Veem muitos motivos! Linda foto da Lis! beijos às duas,chica