Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

sábado, 8 de fevereiro de 2014

A Pessoa É Para O Que Nasce



Há dias em que estou assim... Sem chão! Uma tempestade emocional coloca em polvorosa o meu coração e me vem um enorme desejo de voltar ao quintal da infância, para resgatar aquela menina sonhadora que sempre fui e que anda perdida nas páginas da vida, escrevendo um texto que não é o seu. Nessas horas, ouço os sussurros da minha alma e viajo por cenários que a borracha do tempo vem tentando, em vão, apagar.

Então, olho para a tela do computador e lembro-me da frase: - “A Pessoa É Para O Que Nasce”, título de um filme - do diretor Roberto Berliner - sobre a vida de três irmãs com deficiências visuais, que residem no interior do nordeste brasileiro e ganham a vida cantando nas ruas.

Não vi o documentário, mas a expressão em negrito fez aflorar o meu desejo de ser quem sempre fui... Desejo que se contradiz com o que as pessoas esperam de mim e, até mesmo, com o que, às vezes, pressionada por cobranças internas, também, quero.

Tomando como ponto de partida o título do filme, eu sinto vontade de ir aos recônditos da minha alma, onde hospedo as palavras mais doces e ternas, para tirá-las do seu anonimato, assumindo, sem pudores, que nasci para ser exatamente assim como sou: uma romântica incorrigível, daquelas que ao menor sinal de que a canção da chuva vem produzir os primeiros sons na janela do seu quarto, já se deixa derramar lânguida na tela do computador e sobre a cama dos seus sonhos.

Porém, ao longo dos últimos anos, venho tentando construir com as palavras uma personagem, que destoa de mim quando estou nos bastidores da minha alma ou nas coxias do meu silêncio. Nessas horas, eu me pergunto:

- Quantos de nós ousamos viver de acordo com os ditames do coração? Quantos de nós somos capazes de seguir, de nadar contra a correnteza da opinião alheia? Quantos de nós temos legitimidade para segurar a bandeira da liberdade e dizer: essa sou eu!

Vivemos em uma sociedade onde seguir em bando dá segurança, apesar de gerar frustrações que se propagam pelos anos afora, provocando uma corrida desnecessária aos laboratórios farmacêuticos. Somos uma “metamorfose ambulante” buscando um lugar ao sol para aquecer o inverno da nossa alma, mesmo que isso implique em anular a nossa essência...

Por isso, ao olhar para a tela do computador e lembrar-me da frase escrita acima, aproprio-me de um trecho da letra do cantor Raul Seixas para escrever: “Eu quero dizer/ Agora o oposto do que eu disse antes”:

-“A Pessoa É Para O Que Nasce”... E, eu serei sempre uma romântica incorrigível.

Um comentário:

lis disse...

Oi Julieta
E a gente segue 'reconstruindo abrindo caminhos e tentando ser melhor a cada dia .
Imagino bem o quanto você é romântica desde a primeira leitura de crônicas suas .Isso é bom , os românticos são bem-aventurados o olham o universo com a beleza dos amor.
Saudade de ti,
Espero que tudo esteja seguindo bem em familia e na vida secular ,
meus abraços e carinho