Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

sábado, 8 de março de 2014

A Dama da Noite



Há dias assim, como hoje, em que eu me sinto sufocada...

São dias escarlates onde tudo em mim é desejo e provocação. O tinteiro sobre a mesa se deixa derramar sobre a folha de papel em branco e o vermelho rubro das minhas letras vai deixando entrever o tango argentino da minha paixão.

Dentro de mim, negociando prazos e me consumindo lentamente, alguém pede passagem... Liberdade! Reprimo porque sei dos danos e das convenções, mas diante da insistência solto-a e ela ganha às ruas num misto de prazer, alegria e gozo. A fera está solta! Sou outra mulher...

Um par de sapatos vermelho e uma taça de vinho na mão ensinam-me a engolir a noite. Quero beber a tua ausência, saciar o meu desejo e depois... Ah! Depois eu canto ao teu ouvido: “ se acaso me quiseres, sou dessas mulheres, que só dizem sim”...

Um comentário:

Sueli disse...

Aplausos, amiga, muitos aplausos!!! Essa é você, essa sou eu. Somos nós, mulheres na sua essência. Beijo grande!