Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

terça-feira, 4 de março de 2014

O Bloco da Saudade






É carnaval! De longe, de muito longe, ouço alguns acordes de marchinhas antigas: “Quanto riso! Oh, quanta alegria!" Somos mais de mil palhaços a chorar a morte dos nossos sonhos na avenida.

A fome, o desemprego, o abandono e a dor vestem as suas fantasias e seguem pelas ruas cantando o samba enredo de um povo, enquanto, nas alas palacianas, o bloco da saudade providencia pão e circo, para que o rei momo continue a brilhar.

São três dias de entorpecimento... Pobre nação! Arlequins e Pierrôs tristes e sem esperança desfilam pelas vias com a máscara negra da desilusão, ao som de “mamãe eu quero mamar”, música executada pelos rufiões do povo... Mas, de repente, eis que chega a “quarta-feira ingrata, tão depressa, só pra contrariar”. Já não há leite para tantos! É hora de colocar o bloco da saudade nas ruas. O período eleitoral está chegando. Que venham às urnas!

“Quanto riso! Oh, quanta alegria!”

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