Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

E Por Falar em Saudade...









Olho para trás e vejo o passado se esvaindo. É um olhar para um tempo suspenso, que ficou gravado apenas na pausa de uma fotografia. Uma imagem congelada de uma época que nunca foi saudade, pois não havia alguém a quem esperar. É que eu guardei dentro de mim, durante muitos anos, um amor que sempre me foi alheio.

E, agora, eu olho para as horas que passam e me pergunto: e por falar em saudade, onde anda você? Você que, hoje, é presente e presença viva de um tempo que urge e aperta o cerco dos dias que me restam, lembrando-me que a felicidade desce a ladeira da memória, quando a deixamos suspensa no varal dos devaneios.

Por isso, preciso registrar a mudança. Então, escrevo. Escrevo, nesse momento, a primeira página de uma história sem passado. É vida que segue. É tempo presente... É urgência em ser feliz! Agora, vivo pastoreando as horas e contando os minutos que faltam, para eu criar raízes aéreas e desembarcar na geografia do teu corpo.



E, por falar em saudade, onde anda você?