Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

quarta-feira, 30 de março de 2016

Destino versus Escolhas










A vida é um tecido fino, bordado de tantos e tantos fios que se entrelaçam para tecer o nosso destino. Destino: acaso, acerto, fatalidade, sorte ou responsabilidade por nossas escolhas? Você decide! E, paga o preço...

Todo dia é um recomeço. Somos convidados para olhar o que foi vivido e, sem medo, reinventar a nossa trajetória. Alguém já disse que crise é tormenta, mas também possibilidade de reformulação interior. As fraturas do cotidiano estão sempre ali, no porão da nossa alma, marcadas pela dor, mas não devem nos desestabilizar, nem tirar do lugar de onde nos reconhecemos imperfeitos. Permitir que “diálogos costurados por outras vozes” nos definam e tracem o caminho que devemos seguir, é fugir da responsabilidade, é pôr no outro a culpa da nossa insegurança, do nosso medo e da nossa incapacidade de virar o jogo e transformar o dia a dia.

Estamos presos à zona de conforto. Vamos costurando o tecido da nossa vida, sem virar a página. Há sempre alguém a quem culparmos pelo nosso desassossego: é o pai, a mãe, a sogra, o namorado/marido que não nos respeita nem compreende, o patrão que não reconhece o nosso valor, o amigo que nos trai, a concorrência desleal, a falta de oportunidade, de dinheiro, de emprego. É o estado e o governo federal que não funcionam e por aí vai. Como disse Sartre: “o inferno são os outros”. Os outros e não, nós! Nós, que somos responsáveis por nossas escolhas e que, em determinados momentos, somos arrogantes e presunçosos o suficiente para não ouvirmos as ponderações de quem já viveu e tem mais experiência. Nós, a quem a vaidade fala mais alto e o egoísmo impede de enxergarmos quem está a nossa frente. Nós que, na maioria das vezes, nos vestimos de bons samaritanos, para escondermos a face oculta do ódio, do desprezo e repulsa que sentimos pelos nossos semelhantes. Nós que, no disse- me- disse propagamos a infâmia, a calúnia e destruímos a reputação de alguém a quem, muitas vezes, mal conhecemos. Nós que, em inúmeras ocasiões, tivemos a chance de fazer algo diferente, porém optamos por seguir em bando, em sermos massa de manobra para fins escusos. Nós, que vivemos de dedos em riste e a todo instante nos vestimos de árbitros, de juízes da humanidade, olhando por cima, mas incapazes, sem coragem e envergadura suficiente para subir no palanque e fazer a diferença...

Por isso, quando o desassossego bater à nossa porta e quisermos encontrar um bode expiatório para os nossos erros, não devemos nos abrigar em um lugar seguro, confortável. E que nos exima de culpa. Devemos sim, hastear a bandeira da liberdade e dizermos: nós somos as nossas escolhas... E, pagarmos o preço justo por elas!

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