Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

sábado, 30 de janeiro de 2016

Uma Carta para Juliana



















Minha filha,


Os ponteiros do relógio avançam vertiginosamente, provocando mudanças e saudades na paisagem dos meus dias. Tudo corre célere, indicando que a hora da despedida se aproxima. Tu vais partir! Na mala roupas, sapatos, livros e quinquilharias... No baú da memória, cantinho interno de tuas emoções perfumadas, imagens, recordações e falas se desenrolam, lembrando-te o meu conselho: - “embala coisas, fecha malas e tranca portas, mas, como um viajante sem pouso, leva as tuas raízes, essa semente germinada pelo amor e pela promessa de que sempre terás para onde voltar”... Porém, agora, é hora de te ver partir! Bem sei como é difícil esse momento. Dentro em pouco, a cor do tempo vai desbotar as tuas lembranças e me restará apenas a certeza de que nada será como antes, por isso, essa carta e a minha súplica: escuta o som dos meus gemidos, mas antes que eles te enfraqueçam, aumenta o volume da canção dos teus sonhos e segue. O meu amor te dá asas.



Crédito de Imagem: Armindo Alves