Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

sábado, 19 de julho de 2014

Direção Oposta














Ando na contramão do tempo, pedindo aos céus um pouco mais de dias e de insensatez, para desfazer as amarras que me prendem ao passado. Quero dar carta de alforria à louca que habita em mim e para qual eu nunca dei ouvidos, nem importância. Talvez ela seja, hoje, a minha versão mais completa, por isso quero beber toda a liberdade que eu sufoquei no corpo e na garganta, por anos a fio. Quero estrear na vida uma vida que eu nunca vivi... Cansei de encarcerar desejos e adiar sonhos. “Liberdade, liberdade abre as asas sobre mim.” Não quero mais pontuar as minhas palavras, com a hesitação dos meus medos. Cansei! Quero ver nascer outra pessoa em mim, enquanto há tempo... Às favas, com a escassez dos dias que me restam!

Ando na contramão do tempo, querendo aposentar essa senhorinha circunspecta a quem eu sempre dei abrigo, desde a mais tenra idade. Quero, agora, acordar livre, leve e solta para sair por aí empunhando a bandeira da liberdade e, para isso, desde já, vou tornar manifesto a cartilha dos meus desejos mais secretos:

- Vou fechar o meu coração para balanço e embriagar-me de vida, deixando que o prazer entre por todos os meus poros, inundando-me dessa coisa boa a que as pessoas dão o nome de paixão, embora que efêmera... Afinal de contas, amar é só um verbo... E, conjuga-se melhor no passado. Quero, sim, daqui por diante, sorver os dias que me restam em um só gole e deixar para trás aquela que sempre fui e não quero ser... Nunca mais!



“Liberdade, liberdade abre as asas sobre mim”, porque amar... Dói!


Imagem: Neli Araújo (Facebook)

2 comentários:

Fabíola Simões disse...

Olá Juliêta! Vim retribuir a visita e me deparei com um texto lindo, que me tocou profundamente! Me identifiquei demais com suas letras e adorei seu blog! Quero passear aqui mais vezes, saborear cada pedacinho! Parabéns!
Ah! Adorei a foto do perfil tb, achei o máximo as duas meninas com a mão no rosto...

Fabíola Simões disse...

Olá Juliêta! Vim retribuir a visita e me deparei com um texto lindo, que me tocou profundamente! Me identifiquei demais com suas letras e adorei seu blog! Quero passear aqui mais vezes, saborear cada pedacinho! Parabéns!
Ah! Adorei a foto do perfil tb, achei o máximo as duas meninas com a mão no rosto...