Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

sábado, 16 de janeiro de 2010

Horas de Saudades






Podemos nascer de várias maneiras e uma delas vem carregada de significação: partir; deixar a casa, cortar laços e ter no olhar um passado. Essa talvez seja a forma mais dolorida. Abrir mão do colo, do conforto e da certeza do caminho seguro... Mas, que outro jeito há? Quando crescemos o suficiente não cabemos mais nos braços e regaços e a vida nos cobra vida?!

Partir para nascer. Processo difícil e doloroso: requer tempo, coragem e uma paciência que não se encaixa nas horas de saudades... É que, de repente, tudo dói... E uma avalanche de recordações torna desejável até a rotina dos dias iguais. Tudo aquilo por que lutamos perde a importância e nosso projeto de vida sucumbe diante do poder das lembranças. Vivemos uma solidão abissal!

O que fazer então, quando o sorriso e a alegria abrem espaço para a tristeza e o desânimo ou quando alimentar-nos só é possível com o sal das nossas lágrimas?

- Nascer de novo! Desabitar medos, vencer a hesitação e deixar o porto seguro. Esquecer a pouca experiência em prol de um novo desafio. Ser livre para fazer escolhas... Tudo isso requer coragem e decisão, porque partir de algum lugar, ainda que titubeando, é a única maneira que temos de reinventar a vida e fazê-la valer a pena.

*Para Gilberto, meu filho!

4 comentários:

Lídia Borges disse...

Uma constatação tão real como dolorosa!

Belo texto!

L.B.

entremares disse...

Julieta, amiga.

Partir... seja em que circunstância for, é doloroso. Deixar para trás algo é perder sempre alguma coisa, mais que não seja a memória. mas o presente não se compadece com o passado, a vida só se constrói em cima terreno vazio, e todo o lastro, aquele lastro emocional que todos carregamos... tem que ser deitado fora, para que novos edificios possam surgir, mais aptos a captar o sol...

Fica bem, amiga.

Rolando

C. S. Muhammad disse...

Eu conheco bem esta escolha (voluntária ou não, é por demais sofrida).
Que bom que você "me achou" ou melhor, "reencontrou". Meu endereço agora tem blogspot! bjs

Dani Almeida disse...

Sempre por aqui. E o texto mto lindo, emocionante. Principalmente pq conheço bem os personagens. Parabéns!