Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

terça-feira, 16 de março de 2010

Por que escrevo?







Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora...

Gosto de ter as mãos cheias de letras e com elas, uma a uma, construir matéria de sonhos. Encanta-me o fato de poder manusear o alfabeto e com ele fazer escolhas de maneira lúdica. Não tenho, porém, a menor intimidade com as palavras, pois quando ouso falar elas me atropelam com a sua velocidade, distanciando-me das pausas e dos silêncios. Por isso, escrevo! Quem sabe, um recurso para disfarçar a minha timidez?!

Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco.

Há quem me acuse de saudosista e de viver no passado. Cobram-me até por vocábulos que se tornaram obsoletos e que eu os pronuncio. Dizem ser por absoluta incapacidade de abrir mão do que ficou pra trás. Não sei se isso é fato, o que sei é que ando sentindo falta de tanta coisa, que só brincando com as palavras consigo trazer para perto de mim, um pouco do muito que perdi para esse admirável mundo novo...

terça-feira, 9 de março de 2010

Os Caras-Pintadas





Existe um ‘Haiti’ rondando as nossas cabeças! Placas tectônicas em constantes atritos. Um espaço aberto para o lixo cotidiano dos jornais e TVs deitar-se em ‘berço esplêndido’ ou um convite para o despertar da consciência a nos pedir: ação?!

Por que será que não nos damos conta disso?
Dia após dia, de maneira escancarada, a realidade se apresenta aos nossos olhos pedindo um olhar mais atento para o que se passa ao redor... Fingimos que não vemos! E um vulcão adormecido em cinzas nos adverte: pagarás um alto preço por fazer parte dessa nação que, hoje, ignoras... É a consciência reclamando cidadania, ante a passividade e a inércia com que observamos a vida pública dos nossos representantes. Onde estão os caras-pintadas de outrora?


Imagem: Blog do Poeta Álvaro Alves de Faria

segunda-feira, 1 de março de 2010

Saudades Engavetadas






Da varanda da sua casa ela espreitava o caminho. O seu olhar varria ruas e dobrava esquinas na esperança de que ele aparecesse. Contava as horas, os minutos e os segundos. Precisava da sua presença para amenizar a saudade que a consumia... De repente, como num passe de mágica, ele surgia em sua farda azul e amarela, trazendo nas mãos um amontoado de sonhos.
Era o carteiro, mensageiro de tantas ilusões!

Hoje, ao abrir o armário do seu quarto ela encontra palavras guardadas na gaveta. Pega-as e fica absolutamente entregue às suas lembranças... Pede emprestado à memória um tempo feliz e faz as pazes com o passado!

Já não lhe dói tanto ter amado sozinha durante todo esse tempo, pois a geografia do amor tem os seus acidentes de percurso e além do mais, nessa hora, uma colcha de retalhos feita de boas recordações lhe apazigua a alma aquecendo-a por dentro. Olha outra vez para suas saudades engavetadas; lembra do tempo passado, do carteiro, das ilusões e faz um inventário do seu amor! Reedita lembranças e pensa: “foi eterno enquanto durou.” Depois disso, fecha a gaveta, dá um sorriso e diz: agora eu estou pronta... Aceito! E começa a ser feliz outra vez...