Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

sábado, 18 de setembro de 2010

A Verdadeira Beleza que Importa






O poeta Vinícius de Moraes eternizou o culto à beleza na seguinte frase: “as muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental.”
Desde então, as mulheres vivem numa crescente busca pela imagem perfeita. Estamos na era das bonecas de plástico...

A estética é algo agradável aos nossos olhos, nisso todos concordamos, mas a medida que serve de parâmetro para avaliar o grau das nossas escolhas e de felicidade, assume nova forma, e aí a coisa toma outro rumo, uma vez que priorizamos o descartável, o transitório e o imponderável.

Vivemos uma época em que o culto ao belo aliado a uma tecnologia avançada virou à tônica do presente e o filão que engorda as contas bancárias de clínicas e academias. Estamos sempre em luta contra os ponteiros do relógio, numa busca desenfreada por algum procedimento que melhore a nossa imagem. Por conseguinte, nos perdemos atrás de algo que não nos define, nem qualifica.

Quando alguém, ou mesmo tu me olhas ou desejas, avaliando apenas os meus atributos físicos, penso: se esse é o preço da tua admiração e do teu amor, não estou disposta a pagar, pois gosto das marcas que o tempo desenhou em meu corpo. São sinais que me individualizam. Não pretendo abrir mão deles para saciar o teu olhar de lobo.

Gosto do que vejo! Não costumo brigar com o espelho. Nele, estão refletidas as minhas rugas e cicatrizes, e na flacidez da minha pele os vestígios das horas que passam. Mas, para além do espelho estou eu. O eu que importa: olhos, ouvidos e mãos. Esses, de fundamental importância para se mensurar a beleza que realmente importa, pois são os meus olhos que se dirigem em tua direção e veem o vazio da tua existência, ainda que nada me contes; são os meus ouvidos que silenciam as vozes do mundo para te ouvir e são as minhas mãos – ainda que enrugadas - que se estendem para te abrigar em noites de frio e tormenta.

Portanto, não me olhes como uma boneca de plástico, valorizando apenas a estética, pois é a minha alma que te salva. É ela que se esvazia de mim para te preencher... E, além do mais, Vinícius que me perdoe, mas essa é a beleza fundamental.