Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

terça-feira, 1 de maio de 2012

Amor e Liberdade




Existem amores que carregam no peito o lema: sem jeito pra ser feliz! Entendem-se bem com a poesia quando derramam seus versos nas páginas em branco, mas não encontram espaço na vida real. Faltam-lhes as asas da liberdade, pois amar é morar dentro do outro sem tomar posse. 

O amor deveria ser uma casa de portas e janelas abertas, para que pudéssemos entrar e sair livremente. Uma casa de passagem onde a alegria do encontro, da cumplicidade e do companheirismo fossem responsáveis por retardar a despedida e, quando houvesse, que ela tivesse a medida do respeito e da admiração dos primeiros dias.

Mas não é isso que acontece, apesar de vivermos uma época em que a liberdade amorosa é tão cultuada. Há sempre nas relações atuais, uma porta cujo indicativo saída de emergência parece invocar a impermanência e, por ali passam a intolerância, a violência e o desamor. Queremos amar e ser amados. Falamos tanto sobre o amor, celebramos esse sentimento em cantos e em versos, mas o que prevalece, nesses tempos modernos, é um novo conceito de escravidão, onde se barganha a posse do outro em troca de um possível afeto. Afeto que está mais para jugo, subserviência e senhorio do que para o amor, pois quem deseja subjugar o outro desconhece a liberdade da alma e a sua capacidade de se doar livremente...

Desconhece, também, que quanto mais livre somos mais fazemos festa dentro de nós para celebrar esse porto seguro, que é dormir e acordar dentro dos olhos do ser amado... Eternamente! E, que essa, sim, é uma “escravidão escolhida” e, só por isso, tão importante e duradoura.

Por isso, estamos fadados a encontros e desencontros, enquanto não aceitarmos que tu e eu podemos ser uma equação feliz, a partir do momento em que reduzirmos às expectativas, em torno das quais construímos o nosso patrimônio emocional, a um único objetivo: à felicidade de morar dentro do outro sem tomar posse, pois o verbo amar para ser conjugado precisa de liberdade.

7 comentários:

✿ chica disse...

Amor ,morando junto, um no coração do outro, sem se achar dono...Isso é preciso pra que haja boa convivência. nem sempre acontece...

Lindo teu texto! beijos,ótimo feriado,chica

Ana Martins disse...

Julieta, saio encantada com este texto, com esta maneira de pensar e sentir. Aqui, você revela ser sensível, madura e inteligente. Você sabe e conhece bem o que é o amor!

Adorei!

Beijinho,
Ana Martins

lis disse...

Muito bonita a crônica Ju
Deveria ser assim e o que vemos são casais enredados na teia do amor , um tentando sufocar o outro e dizendo "te amo".
Gostei da forma que coloca a liberdade como porto seguro em que se celebra o dormir e acordar dentro dos olhos do amado.Eu quero rs
Ju uma linda noite , fique bem e feliz,ok?
mando beijos e abraços

Libel disse...

Julieta, o amor torna a vida mais suave e delicada. O mundo ganha novas cores, tudo passa a ser belo
dentro de nós, porque o amor faz a vida ser o sonho lindo de viver.

PARABÉNS ATRASADOS AMIGA...sou uma nódoa com datas de aniversário, deixo sempre passar, mas acredita que o mais importante e aquilo que não deixo passar nunca, sequer esqueço um dia só, é a nossa AMIZADE, este sentimento tão bonito, que carrego comigo com o maior prazer e que me deixa tão feliz.

FELICIDADES MUITAS...é o que desejo para ti, doce de mulher, linda, apaixonada, exótica e deslumbrante...sim..sim...
tenho fotos que mostram tudo isso, tenho PROVAS....AHAHHAHAH....

MAIOR BEIJO DO MUNDO PARA TI...
te adoro!!
Libel

mfc disse...

É essa felicidade, tão linda dita por ti através de uma imagem belíssima, de se morar dentro do outro!

jose claudio disse...

Oi, Julieta. Obrigado, primeiramente pela visita gentil durante a minha ausência.

Eu achei um espetáculo esta sua abordagem. Tenho pensado mais sobre isso nos últimos tempos (depois de tanto desamor também). A relação social com a mercadoria, com a posse de bens materiais está tão intensa e primordial que as relações afetivas estão seguindo a mesmo trilha. Diz-se amar a uma pessoa mas pratica-se a mesma relação que se tem com o objeto que se adquire. Aprisiona-o, manipula-o e apodera-se do ser como mera mercadoria. Uma espécie de coisificação das gentes.

Adorei seu texto, como adoro ler tudo que vem de sua criativa lavra literária.

um abraço grande.Paz e bem

vitalina de assis disse...

Hola amiga!

Amor, felicidade, liberdade, e de novo o amor.

Belíssimo texto!

Bjs.