Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

sexta-feira, 1 de março de 2013

Os Sapatos Vermelhos






Quando se dispôs a calçar aqueles sapatos vermelhos ela sabia que nunca mais seria a mesma. Eles eram o seu passaporte para uma vida nova e para um novo amor, por isso, escreveu:

- Visito a minha memória e páginas e mais páginas de um livro – fruto das minhas fantasias que eu ainda quero editar - pedem para serem escritas, mas o tempo atropela as horas trazendo o passado para brincar de “aqui e agora” e, assim, outras palavras vão se desenhando pelas pautas do meu caderno.

Histórias antigas margeiam as avenidas dos meus sonhos e preenchem as páginas em branco trazendo à tona, um cardápio de sentimentos que não alimenta de ternura nem de saudades as minhas lembranças. Então, eu penso: na galeria das minhas recordações você é o amor que não desejo reeditar. Nesse instante, uma música que se faz ouvir na voz melodiosa de Maria Bethânia, parece confirmar o meu pensamento: - “desinflama meu amor, do seu jeito é muita dor, vive”...

Em seguida, leio um texto de Carpinejar que diz: - “a imaginação tem censura livre”. Continuo a escrever... Doces palavras, egressas de um passado recente, povoam as páginas do meu caderno, mas não me convencem: “eu poesia, você dicionário”.
Resoluta, encerro o parágrafo e coloco ponto final na nossa história de amor... Desligo-me do passado e de nós dois: eu e você, nunca mais!

Depois disso, calço os sapatos vermelhos e sigo sem olhar para trás... No caminho, outro capítulo será escrito, pois uma nova mulher toma forma dentro de mim... Quem sabe, esteja se desenhando, no universo, um livro com final feliz.

Um comentário:

© Piedade Araújo Sol disse...

o poder de uns sapatos!
não uns qualquer, mas vermelhos e de salto alto.


:)