Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

O Poder do Lápis




Uma folha de papel em branco sugere infinitas possibilidades de se reinventar a vida. Olho-a, sinto-me intimidada e, ao mesmo tempo, poderosa.

Quanto poder tem a vastidão de uma folha de papel em branco e um lápis na mão... Sou dona do meu destino. Faço as minhas escolhas. Os meus olhos, cansados da mesmice do cotidiano, procuram por novas paisagens. Partir tornou-se um verbo de urgência. Recomeçar é uma necessidade imperiosa.

O ano mal começou e apesar do meu desejo por mudanças, ainda sinto-me presa por fios invisíveis que me conectam a todo o momento com pessoas e lugares dos quais eu quero fugir.

Pauso o lápis e o pensamento sai em disparada atropelando as palavras, que insistem em colocar ordem no caos do meu dia a dia. O velho e o novo se digladiam na arena dos meus desejos mais secretos. Reticências ganham contorno em minha viagem pela folha de papel em branco: são as lembranças, o passado, o velho... Um baú que eu carrego cheio de sonhos esfarrapados.

Mas, o poder do lápis sobre o papel insiste em desenhar outras formas de viver. Então, um impulso me leva a estender as asas da imaginação e eu me lanço em um voo cego em busca de novos horizontes, deixando para trás pessoas, palavras e versos de amor amassados pelo tempo.

É hora de reinventar a vida.

Um comentário:

C. S. Muhammad disse...

Juliêta, tantas coisas mudaram. Sua sensibilidade, felizmente, não foi uma delas. Belo texto, querida. Também eu sinto saudade dessas asas que o papel em branco oferece.
Beijos saudosos.
Carla