Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

sábado, 30 de abril de 2016

Memórias em Carne Viva















Hoje é o meu aniversário e eu pergunto ao tempo: - tempo, tempo, tempo... Que queres tu de mim? Palavra, discurso... Verbo?

Olho-me no espelho e vejo a poeira dos anos assentada sobre os meus cabelos. Disfarço! Depois, faço-me uma indagação: - o que revelam esses fios de prata que, contra a minha vontade, banham a minha cabeça em noites de lua cheia? Não os renego, afirmo, porém eles não me definem!

Volto-me novamente para o espelho e procuro enxergar uma senhora circunspecta e ensimesmada, mas só encontro a menina moça, alegre e faceira, que um dia habitou em mim. Nela, havia uma rebeldia latente que os ponteiros do relógio não conseguiram deter... Sou, ainda, essa menina em flor, desabrochando. E, no meu corpo, feito tatuagem, ardem memórias em carne viva. Sou verbo sem tempo.