Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Meu Primeiro Beijo




É incrível como certas lembranças se perpetuam em nossa memória. Elas tomam posse da nossa alma e dão abrigo aos nossos sonhos sem-teto.

Sinto ainda hoje o cheiro, o gosto e o som do primeiro beijo: tinha o perfume das flores, o sabor de um pomar inteiro molhado de chuva, e o som de uma orquestra sinfônica, em andamento, disputando alegria com o pulsar do meu coração. Ah! Quanta felicidade e festa em minha vida! Chovia, fazia sol, e o astro rei dava passagem ao arco-íris que vinha trazer encantos para saudar o primeiro amor. Na passarela das minhas lembranças, agora, as imagens se sobrepõem: depois do beijo, um desencontro, saudades partidas de um amor que não floresceu. Sonho sem-teto, esperança perdida e pedaços de desejos esquecidos, na varanda da casa solidão, adormeceram em mim.

Um comentário:

Pedro disse...

Tia Ju!!!
essa vai pra desenterrar, parece que a senhora mora no meu juízo...
eu lembro meio vagamente, mas ainda lembro do gosto e do cheiro do momento... uma mistura de jardim com perfume infantil... duas crianças que se deixam levar pelo impulso... um momento para sempre.
Estranho é lembrar que, mesmo sem experiência, o beijo parecia de dois amantes de longas datas... quem pode explicar?

Aquele xêro maior do mundo!!!