Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

domingo, 3 de agosto de 2008

Coração Sem Juízo





Meu coração sem juízo ultrapassou as fronteiras do razoável e foi pedir abrigo às lembranças de nós dois, vasculhando armários, explorando memórias já esquecidas e semeando saudades onde só existiu solidão.

Tentei pervertê-lo, mas foi em vão! Recorri à imaginação, evoquei o passado com todas as suas dores e de nada adiantou. Feito posseiro – dos meus desejos secretos - ele se instalou confortavelmente no sonho de reaver o tempo perdido e pediu uma segunda chance ao amor.


Ah, que amor despudorado tem esse meu coração sem juízo! Vive sempre incandescente, qualquer que seja a estação e, além do mais, esquece que eu expus a minha dor em saudades, e que, nas entrelinhas das minhas cartas, as palavras estavam sempre encharcadas de amor. Amor que atravessou o tempo e se perdeu em esperas inúteis, deixando as minhas mãos órfãs dos exercícios das carícias e das trocas de ternura.

Preciso reinventar o meu afeto e dele, ocultar-lhe a face. O passado já não cabe dentro de mim... Quero a minha carta de alforria!

Um comentário:

Pedro disse...

Tia Juuuu!!!
acabei de ler e adorei, e estou escutando "bunring love" com Elvis Presley nesse exato momento. já dizia um primo meu...
"coração é terra que ninguem manda..."

xÊro grandão, fica com Deus.