
Meu coração sem juízo ultrapassou as fronteiras do razoável e foi pedir abrigo às lembranças de nós dois, vasculhando armários, explorando memórias já esquecidas e semeando saudades onde só existiu solidão.
Tentei pervertê-lo, mas foi em vão! Recorri à imaginação, evoquei o passado com todas as suas dores e de nada adiantou. Feito posseiro – dos meus desejos secretos - ele se instalou confortavelmente no sonho de reaver o tempo perdido e pediu uma segunda chance ao amor.
Ah, que amor despudorado tem esse meu coração sem juízo! Vive sempre incandescente, qualquer que seja a estação e, além do mais, esquece que eu expus a minha dor em saudades, e que, nas entrelinhas das minhas cartas, as palavras estavam sempre encharcadas de amor. Amor que atravessou o tempo e se perdeu em esperas inúteis, deixando as minhas mãos órfãs dos exercícios das carícias e das trocas de ternura.
Preciso reinventar o meu afeto e dele, ocultar-lhe a face. O passado já não cabe dentro de mim... Quero a minha carta de alforria!
Um comentário:
Tia Juuuu!!!
acabei de ler e adorei, e estou escutando "bunring love" com Elvis Presley nesse exato momento. já dizia um primo meu...
"coração é terra que ninguem manda..."
xÊro grandão, fica com Deus.
Postar um comentário