Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

A Praça



Um silêncio de palavras e de gestos era tudo que lhe sobrara agora, que ela se via diante da paisagem que outrora lhe fizera a festa aos olhos e ao coração.

Lá estava ela, a praça - imponente - em suas copas, com o verde de suas árvores oferecendo sombra a algum caminhante cansado.O banco solitário à espera de confissões de amor parecia espreitar a dor que lhe pungia a alma.

Quanto tempo se passara desde então, e ela ainda, teimosamente, esperava por ele que se atrasara para aquele que seria o último encontro.
Em suas mãos, um maço de papéis amarelados pelo tempo, contrastava com o vermelho-rubro da fita que delicadamente os envolvia. Na frouxidão do laço, uma sugestão:

Desate-me, eu ainda estou aqui...

Um comentário:

Juliana disse...

Me deixou de olhos marejados, dona Juju. A senhora escreve com a alma e com os olhos de quem esteve lá, a espera daquele que ainda está atrasado. Lindo, lindo, lindo.