Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Pausas





Não dê pausas à vida! Esse foi o conselho que eu dei a alguém que estava a interpretar os sinais que andara recebendo por esses dias.

Por que será que estamos, na maioria das vezes, adiando decisões e empacotando felicidades para serem usufruídas mais tarde?
Há sempre um amanhã... Um depois... Um quando eu estiver pronto... E a vida feita de pausas vai passando em desacordo com o relógio do tempo. Quando nos damos conta, o que temos é um corpo gasto, cansado, arrastando-se por aí, atrás de uma juventude perdida, de um ideal não concretizado, de uns minutos a mais para viver na UTI da felicidade. O que temos é uma alma vestida de palavras suspensas: quase, talvez, quem sabe um dia e, depois, um coração atormentado pelo “se”: se eu tivesse dito, feito, ido, amado.
E o tempo escorrendo por entre os dedos, feito areia da praia, nos diz: agora é tarde!


Decididamente, eu não gosto de pausas. Eu tenho fome de viver!

3 comentários:

Anônimo disse...

Gostei deste cantinho, voltarei sempre.

Klaudya

cArLa disse...

Juliêta,
Seu conselho foi muito sábio. Eu mesma não poderia dá-lo, pois sou escrava do "um dia..."
e o dia nunca vem

Fabiana disse...

Tá certíssima Tia Ju!
Parabéns por mais um texto maravilhoso!!

beijão!! Fabi