Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

terça-feira, 10 de novembro de 2015

O Real Valor das Letras












Ah, as palavras! Como elas se exibem! Chegam saltitantes, vaidosas e orgulhosas em seus vestidos de cetim desejando o brilho das estrelas. Vaidade. Tudo é vaidade!

(...)

Então, eu lhes falo do tempo, do passado, das coisas idas e findas. Nada mudou, apenas a arte de dizer a mesma coisa com outra linguagem. Tudo se repete, gerando cansaço, frustração e apatia.

Somos todos iguais nessa busca pelo celeiro dos signos linguísticos, ansiosos em dar vida às letras. Palavras são gastas, frases e orações desperdiçadas esperando por ações que nunca chegam.

É a cupidez do homem enterrando as palavras, que nada mais anseiam senão a própria vida: prática, ação e exercício contínuos. Nunca, letra morta, vazia, inútil e sempre em busca dos louros das academias.

Validá-las! Esta, talvez, seja a maior honraria que elas desejem. Sair do papel e alcançar às ruas, ruelas, becos e avenidas... Fazer-se luz na escuridão e o pão de cada dia na boca do analfabeto, dando-lhe a consciência de cidadão para que ele possa escrever a história e reinventar a vida desse país.

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