Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

domingo, 30 de dezembro de 2007

Mar


Na vastidão do teu azul
Eu quero me perder
E em teu corpo quente, quero arder

Quero abraçar-te
Doce e ternamente
E o mel de minha boca
Oferecer-te

Encharcar de amor
As tuas ondas
E de loucura
O teu prazer...

No refluxo das tuas vagas cristalinas
Meus amores imperfeitos
Vou esquecer

Içarei as minhas velas
Ao sabor dos ventos
E em cada porto
Vou me recolher

Oh! Mar de azul profundo
Leva-me contigo
Lá pro fim do mundo.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Deletando 2007!





Meu coração entrou em recesso, pediu um recall e a minha alma anda circulando por aí, perdida, tentando colar os pedaços de mim, num eterno processo que não acaba nunca.


Não fazia parte do jogo esse silêncio - que fala - essas perguntas sem respostas, e esse vaivém de sentimentos contraditórios. Por isso, ao primeiro raio de sol do ano de 2008, vou reescrever a minha história. Nela não haverá lugar para pontos de interrogação, saudades esquecidas, sonhos inacabados e amores provisórios.

A impermanência não é o meu forte!

Vou deletar tudo que me cause sofrimento e "abolir do pódio das dores, qualquer medalha ganha por bom comportamento ".
Vou estrear na vida uma nova maneira de viver, deletando espaços para dúvidas e construindo certezas a cada amanhecer.


Fica combinado, desde já, que razão e emoção são incompatíveis, pois, como escreveu um dia Fabrício Carpinejar: “Te compreender não me libertou”. Portanto, fica deliberado que em 2008 eu farei o seguinte em:


Caixa de entrada, E-mails encaminhados: DeletarLixo Eletrônico, Silêncios prolongados: Deletar
Rascunhos, Respostas evasivas: Deletar
Enviados, Frases de duplo sentido: Deletar
Excluído, Você de novo em minha vida: Deletar.


Feliz Ano Novo para você!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Por que não Falar de Amor?


Perguntaram-me, outro dia, por que só escrevo sobre o amor. Eu lhes respondi: Porque é só de amor que eu entendo! 

Aprendi a brincar com as palavras soletrando as letras em silêncio. E em silêncio, descobri que o amor é a maior de todas as palavras. Com ela, nós podemos fazer serenatas de ternura adoçando a vida em ‘palavras caramelo’.

Tomo-lhe emprestado todo o dia o “A” de: Amor Incondicional e com ele vou barganhando afetos com prazos de validade vencidos. O “M” me fala do Amor Maior, que a tudo perdoa e diz que “tudo vale a pena se a alma não é pequena”. O “O”, me lembra o Amor Obstinado, teimoso, firme e irredutível, que nem a passagem dos anos, nem as ausências e traições conseguem destruir ou transformar em sentimentos menores. E finalmente, o “R” de Amor de Redenção, que a todos salva e redime de culpas e processos transitados em julgado.

Perguntaram-me, outro dia, por que só escrevo sobre o amor. Eu lhes respondi: Porque é só de amor que eu entendo!
E porque só de amor entendo, vou lhes contar uma história: 

-Era uma vez eu, borboleta e ele beija-flor. Estávamos em férias, e logo fomos apresentados ao amor. Peregrina de um sonho onde o amor era mais-que-perfeito, eu, borboleta, me deixei seduzir e mergulhei fundo no olhar do beija-flor. Os seus olhos negros como a noite, eram só promessas de encanto e magia. No entanto, ao amanhecer de cada dia, eu borboleta, nada colhia. Os anos foram passando, verão após verão, e quase se deu com a borboleta amar sozinha em “Cem anos de Solidão”. Veio a era cibernética e com ela, o beija-flor voltou. Trouxe de volta o mergulho em seus olhos, e de passagem, um novo amor. O velho amor de sempre: amor de beija-flor!

E porque só de amor entendo, por que não falar de amor?

domingo, 16 de dezembro de 2007

Saudades


Hoje, eu quero um espaço para cultivar a saudade. Quero encontrar em meu sítio de memórias, recantos de mim, que eu não visito mais. Quero construir uma ponte entre o passado e o presente e através dela, encontrar uma estrada que me leve de volta ao começo de mim. O meu passado tem nome, tem endereço certo, identidade, CPF e uma razão muito forte para ficar onde está. E eu, para onde vou neste presente de tão poucas opções? Se olhar para trás só encontro você, saudade, e se sigo adiante tenho um encontro marcado no relógio do tempo, dizendo que hoje é o ontem que eu não vivi, mas com o mesmo sentimento de inadequação.

O que fazer, então? Deixar rolar? Esquecer? Como poderia se é dele, o passado, que eu tiro a força e a tenacidade para construir os meus sonhos no presente. São saudades em retalhos, de um amor cujo destinatário - até hoje - o carteiro não encontrou...

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

O Que Quero do Amor!


Eu quero do amor a magia e o encantamento

Quero um amor
Que me surpreenda,
Sem data marcada
Nem hora de chegada

Quero um amor
Que se debruce na janela,
Que me faça bela,
Que me encha a boca,
Que me deixe louca
Para sorte sua...

Quero um amor
Para andar descalço,
Para brincar na grama,
Para sorrir na lama,
Para chamar de meu

Quero um amor
Que me tire o sonho
E devolva o encanto
De uma vida que eu não vivi

Quero do amor
A ternura antiga
Sua mão amiga
Me envolvendo em abraços
Que eu não tenho mais

Quero do amor
O seu beijo doce
E uma frase boba
Que já não se ouve mais

Quero ouvir “eu te amo”,
Para seguir cantando
Um amor em paz.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Ao Destinatário


No meu olhar estava escrito só você não leu.
Em minhas mãos paradas, inertes, estavam acorrentados o desejo e a vontade de ser sua. Só você não viu.
No meu coração palpitante, pulsava um velho e um jovem amor... Só você não notou.
E agora busca nas minhas palavras o destinatário desse amor: Que tolo amor esse meu, que até hoje, você não entendeu!