Reconstruindo Caminhos

Reconstruindo Caminhos
Escrevo porque chove saudades no terreno das minhas lembranças e na escrita eu deságuo as minhas urgências, curo velhas feridas e engano o relógio das horas trazendo o passado para brincar de aqui e agora... Costumo dizer que no calçadão da minha memória há sempre uma saudade de prontidão à espreita de que a linguagem da emoção faça barulho dentro de mim e que, nessa hora, o sal das minhas lágrimas aumente o brilho do meu olhar e uma inquietação ponha em desalinho o baú de onde emergem as minhas lembranças, para que eu possa, finalmente, render-me à folha de papel em branco...

dezembro 04, 2007

Ao Destinatário


No meu olhar estava escrito só você não leu.
Em minhas mãos paradas, inertes, estavam acorrentados o desejo e a vontade de ser sua. Só você não viu.
No meu coração palpitante, pulsava um velho e um jovem amor... Só você não notou.
E agora busca nas minhas palavras o destinatário desse amor: Que tolo amor esse meu, que até hoje, você não entendeu!

novembro 20, 2007

Qual a sua Idade?





Certo dia alguém me perguntou: “Qual a sua idade?” Pedi-lhe um tempo e pensei que resposta daria. Apesar de saber que não é educado perguntar a idade de quem quer que seja, não faço coro com as pessoas que mesmo diante das evidências, estão sempre a diminuir os anos numa tentativa vã de parecerem mais jovens. Aí pensei:

- Ah! Já sei o que dizer! Tenho a idade dos meus sonhos e esses não acabam nunca. Tenho um encontro marcado com eles todos os dias: no cheirinho da grama molhada, na bacia cheia de cajás - apanhados ao primeiro raio de sol – no caçuá de jabuticaba, no rolete de cana, no cacho de pitomba e no pé de flamboyant. Ah, meu pé de flamboyant... Quantos sonhos você embalou! Um rolo de corda, uma tábua e um travesseiro e lá estou, menina, a alçar vôos querendo alcançar o brilho do sol nas brincadeiras de criança.

O tempo foi passando, deixei para trás laços de fita, brincadeiras de roda e fui em busca do sonho de amar e ser amada. Peguei o bonde da esperança e durante a viagem, plantei um canteiro de margaridas em minha alma para saudar o amor que estava chegando de mansinho e ternamente, em meu coração. Construí castelos de areia, me perdi em devaneios, os sonhos mais lindos vivi e eles foram eternos enquanto duraram.


Há uma música dos Titãs que diz: “Devia ter errado mais, amado mais e visto o sol se pôr. Devia ter me importado menos com problemas pequenos, ter morrido de amor (...)”. Não morri de amor e os sonhos continuam. E são tantos que eu, menina, esqueci de virar gente grande. Tenho a idade dos meus sonhos e esses não acabam nunca. Eis a minha resposta.

novembro 11, 2007

Lembranças.



O meu olhar atravessa os vidros do carro e se detém no mesmo lugar de sempre: a nossa praça, onde tudo começou.
Viajo no tempo e as lembranças de nós dois silenciam o tic-tac do relógio, trazendo de volta, o passado.


Olho ao redor e vejo a “mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores e o mesmo jardim.” Busco novamente os ponteiros do relógio e numa súplica silenciosa, peço-lhe que detenha o tempo para que as minhas recordações desfilem na passarela das saudades esquecidas. Mãos entrelaçadas, olhos nos olhos, um coração juvenil prestes a explodir de tanta felicidade, denunciam que o amor está no ar.

Um gostinho de saudade traz ainda cheiros e aromas que perfumam as minhas lembranças: um perfume, um refrigerante, uma tarde de cinema e pipoca (nosso primeiro filme juntos) um cheirinho de cachorro quente e churrasquinho, presença certa na Festa das Neves, tudo isso e a música que toca no rádio trazem você de volta.

São reminiscências de um passado, se fazendo presente em doces momentos para festejar a saudade que chega de mansinho, lembrando que o “amor é imprescindível e a solidão é apenas um acidente de percurso”

outubro 23, 2007

A Banda


Hoje, eu quero sair da janela onde vejo a banda desfilar todos os dias, e ir à luta. Cansei de vê-la passar!
Quero engrossar a fila dos destemidos, dos corajosos, dos desbravadores e construir pontes que me levem de volta, ao começo de mim.
Onde eu perdi a minha capacidade de sonhar? Em que esquina eu me esqueci, atrás de sonhos que não eram meus?
Hoje, eu quero seguir atrás da banda! Quero ver até onde, essa saudade de mim, vai me levar.
Não quero mais o óbvio. Não quero mais a facilidade das coisas prontas. Não quero mais que vivam por mim, nem que me digam o que fazer. Quero agarrar a vida e sorvê-la até a última gota... Quero ser feliz! Hoje, aqui e agora.
Não quero mais fazer planos a longo prazo, pois como já dizia John Lennon: “A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro”.
Hoje, eu quero viver sob os acordes da melodia que eu criei.
A banda me inspirou!

outubro 18, 2007

Homenagem à Nalícia

Justamente hoje dia do Psicólogo, falta-me a inspiração!
Tenho um lápis, uma página em branco à minha frente e tanta coisa para falar sobre você e, no entanto, o meu olhar está perdido no vazio, tentando encontrar palavras que expressem a minha gratidão por todo esse tempo em que você foi minha companheira de viagem ao interior de mim mesma.
Logo eu que falo tanto - muito mais do que deveria - perco-me hoje no silêncio, buscando palavras que possam definir uma pessoa que pela própria profissão que exerce, torna-se indefinível.
- Quem é Nalícia para você?- pergunto-me. E de repente, como num passe de mágica, a resposta vem naturalmente – e não vem sozinha! Com ela traz toda uma carga de emoção quando lembro dos caminhos que percorremos juntas, tentando desvendar o insondável e misterioso interior humano, onde se escondem as nossas mais variadas emoções.
Costumo dizer para mim mesma, que é nesta ‘cela solitária’ que escondemos a nossa criança adormecida, tentando preservá-la das maldades desse mundo. Pois bem, foi nesse pequeno e inacessível mundo que você entrou de mansinho, sutilmente como quem nada queria, meio fada, meio bruxa, você me virou ao avesso e disse: “ Olhe para você, Juliêta! Só há uma Juliêta assim (como você) no mundo. Não permita que as pessoas caminhem sobre sua cabeça com os pés sujos”.
Aí eu parei e pensei:
- Quem é esta pessoa que parece saber mais de mim do que eu mesma? É Nalícia, a psicóloga? – tornei a indagar.
- Sim. É a Psicóloga Nalícia. – respondi. Um misto de pai, mãe, irmã, parente ou aderente e também a nossa mais ferrenha inimiga. Aquela que nos mostra o espelho da alma e nos obriga a olhar de frente para as nossas fraquezas, os nossos erros e acertos e que, parece dizer: “Olhe-se e ame-se, pois você é tudo que está refletido aí. E se não estiver satisfeita com a imagem que vê, então mude, mas não busque respostas nem mudanças nos outros, e sim em você mesma”.
É Nalícia sim, a psicóloga que consegue a admirável proeza de ser profissional antes de tudo, de não vacilar um milímetro dentro da ética em ser fria e impassível - olhando à distância nossas pequenas e grandes revelações ou insights - mas é acima de tudo, a Nalícia humana que num abraço fraterno, depois de terminada a sessão, trai toda a carga emocional que a ética a obriga a esconder. E é para essas “duas Nalícias” que eu hoje tiro o meu chapéu e digo:
- Obrigada, por você existir! Você me gerou de novo! Foi um parto dolorido, difícil às vezes. Houve momentos em que eu me escondi, mas você sabiamente esperou o momento oportuno de me colocar de volta à vida e como Fênix, eu ressurgi das cinzas, amando e desejando viver intensamente.
Que Deus a guarde para nós, por muitos e muitos anos. Feliz dia dos Psicólogos!

outubro 16, 2007

Ouvir Você!


Ouvir você é retomar o passado... de assalto!
É tirar do tempo as horas, os minutos e os segundos que ele me roubou. Ah! o tempo, sempre o algoz dos meus sonhos. “É o pau, é a pedra, é o fim do caminho”.
Quanto de você – tempo – eu terei ainda para resgatar, os pedaços de mim, em folhas ao vento?
Ah! o vento, a tempestade, o redemoinho, como brigamos ao longo de todo esse percurso! Você arrastando tudo feito uma tsunami e eu na contramão recolhendo os cacos, os pedaços de mim, pra tentar construir uma história de amor que até hoje, não teve fim.
Ouvir você, é abrir a minha Caixinha de Veludo, é expor os meus segredos, é reconstruir um caminho, é buscar um talvez.
É esperar que as “águas de março fechem o verão” e que a promessa de vida, seja em meu coração. Talvez um dia, talvez quem sabe!

outubro 05, 2007

Até um Dia!



Há instantes em nossas vidas em que procuramos a palavra certa, o momento ideal, o espaço necessário para abrigar todos os sentimentos e afetos e nos deparamos com o inevitável tic-tac do relógio indicando que algo inacabável espera por nossa atenção. Aí pensamos: não tem importância! Ainda há muito tempo para dizer do meu amor, da minha dor, da minha saudade ou seja do que for. Ainda há muito tempo para falar frases esquecidas, palavras não ditas, para justificar silêncios e ausências e dizer num só instante, o que se esperou uma vida inteira para ouvir.
Acontece que os minutos, as horas e os momentos vão passando, nos lembrando que nada dura para sempre, que nada é eterno, e assim, os instantes vão se perdendo, escorrendo por entre os dedos como a areia da praia. Por isso quero dizer – hoje - a você que habita o imaginário dos meus sonhos e pontua de reticências a minha poesia: não se vá, não desista de mim!
Você é o jardineiro fiel da minha alma, em noites de profunda magia. Você é quem me cobre de versos e juras de amor eterno, é o meu porto seguro, onde me encontro, na certeza de que nunca estarei sozinha. Você é quem me veste de margaridas e perfuma cada parte do meu corpo com a delicadeza do seu amor. Você, de quem hoje estou partindo, sem fantasia, sem mais saudade, não se vá... ainda, espere por mim! ... até um dia, até talvez, até quem sabe!

outubro 04, 2007

PEDAÇOS DE MIM.

Não são minhas as escolhas que fiz, percorrendo labirintos em busca de um caminho que me conduzissem de volta a ti.
Não são meus os sonhos desfeitos, amarelados ou em branco e preto, deixados na varanda da casa solidão.
Não são minhas as palavras doces, com gosto de ternura, abortadas a caminho do teu coração.
São teus, os pedaços de mim que a esperança cansada, transformou em lamento.
Andava com o coração vazio de saudades e fui visitar o passado...
Ah! O passado, esse porta-retratos de momentos, pedaços de mim em folhas ao vento.
Vento que varre a saudade que vem, levando pra longe o passado também.
São folhas ao vento, os pedaços de mim, que um dia eu te dei, num amor sem fim.

outubro 03, 2007

FALANDO DE AMOR

Nada mais desejo que mergulhar fundo em seu olhar, deitar minha cabeça no seu ombro e deslizar suavemente a minha mão sobre o seu peito, buscando sentir o palpitar do seu coração no mesmo compasso cadenciado do meu.

Amo você! Não quero mais esconder esse amor, não quero mais fingir que não estou sentindo a sua falta. Morro por dentro cada vez que esse telefone toca e não é a sua voz que eu escuto...


Quisera ter, neste momento, o seu rosto em minhas mãos, poder acariciá-lo ternamente, desenhando com a ponta dos dedos o seu formato, tentando com isso fixar cada traço, cada curva, cada contorno e torná-lo meu nem que seja só nessas doces lembranças. Fecho os olhos por breves instantes e sonho que você está ao meu lado, que eu desabotôo o primeiro botão da sua camisa, para esconder em seu peito, toda a timidez que sinto quando estou perto de você e que me impede de mostrar-lhe toda a ânsia e impetuosidade desse amor...


Ah, meu doce menino, que falta me faz você!
Relembro nosso último encontro e tento reter na memória cada palavra, cada gesto e principalmente cada olhar...
Será que eu já lhe disse alguma vez que adoro olhar bem dentro dos seus olhos? Eles me fazem lembrar as águas límpidas de um rio transparente, o suave espelho d’água que se forma, quando a lua surge no céu e ilumina o mar ou o encanto provocado por todas as cores do arco-íris, no firmamento.

outubro 02, 2007

GUERREIRO MENINO






Meu guerreiro menino, sinto falta de você!

Da ternura do seu olhar, do encanto doce das suas mãos quando segura as minhas, da firmeza e suavidade que tem a sua voz, e fico a imaginar mil palavras e canções embalando-me o sono, sob a proteção de uma noite enluarada onde as estrelas cintilam no céu, numa tentativa vã de se mostrarem mais belas e mais intensas que o nosso amor.
Sinto falta de você e a saudade sai a galope, pedindo ao vento que a leve nas asas de um supersônico para trazê-lo mais rápido para mim.

E enquanto você não vem, o sono e a fantasia povoam a minha imaginação e dão carona ao sonho, que chega pelas asas do desejo.

Vejo meu guerreiro menino chegando cansado depois de um dia intenso de trabalho, deixando transparecer no olhar toda luta e garra travados muitas vezes em silêncio, buscando em mim a compreensão sem perguntas, o afago sem cobranças, o carinho e a ternura gratuitos, lembrando aquela velha canção do Vinícius: “mas que seja eterno enquanto dure”.

Aí então, vou me aproximando de mansinho, seguro ternamente o seu rosto em minhas mãos e deixo que a linguagem do meu olhar, diga tudo que trago guardado no peito e numa explosão de alegria e encantamento, deixo fluir através de palavras, a sentença mais doce e mais terna que eu posso dizer: Adoro Você!

outubro 01, 2007

“DE TUDO, AO MEU AMOR SEREI ATENTO"





A chave do afeto, do sorriso, do encantamento e da alegria de amar e ser amada, está implícita na frase acima.O amor precisa sempre ser reinventado, a cada dia, a cada olhar e cuidado com atitudes de generosidade. Amar é doar-se na certeza de que somos ímpares, mas quando amamos, estamos exercendo o amor na sua real plenitude, amar ao outro como a si próprio.

Cuidar: respeitar espaços, pensamentos, idéias, vontades, manias e dá ao outro, tudo aquilo que gostaríamos de receber. Esse é o amor que será infinito posto que não é chama, nem desejo, nem posse, nem tesão.

setembro 22, 2007

DESPUDORADAMENTE FELIZ





A essa altura da minha vida, não quero mais fazer concessões ao politicamente correto .Quero assumir despudoradamente as minhas paixões pela vida, pela alegria de viver e por você, felicidade, que há anos habita o imaginário das minhas emoções mais vívidas e puras.

Não quero mais ter 15 anos – eu era boba.
Não quero mais ter 18 anos – eu era deslumbrada.
Não quero mais ter 25 anos – eu era um poço de interrogações, do que fazer, pra onde ir e com quem estar.
Não quero mais ter 30 anos – eu já tenho todas as respostas, mas não sei o que fazer com elas.


Eu quero chegar aos 40 sem medo de envelhecer.
Eu quero ter 50, 60, 70, 80 e poder somar todas essas vivências e transformá-las em algo lúdico e que me dê prazer.
Eu quero me vestir de colombina outra vez e me deslumbrar em encantamentos pela vida. Quero recolher das interrogações dos meus 25 anos, apenas as certezas do que me fez feliz. E com as convicções dos 30 um caminho trilhado com sabedoria e paciência, uma paciência e tolerância zen-budista para entender e aceitar que nem tudo que reluz, é ouro, e ainda assim correr atrás do verde esperança.
Eu quero olhar para as minhas primeiras rugas, no espelho, e lembrar que elas contam um pouco do que já vivi, do que fui e do que conquistei.


A essa altura da minha vida, não quero sabotar os meus sentimentos em busca de um status que me massifique e me torne igual.
Quero agarrar a vida pela mão e com ela viajar por prados verdejantes e planícies nunca antes freqüentadas; sem lenço, sem documento e sem data para voltar.
Quero a partir daí, fazer 50, 60, 70, 80, quiçá 100, e poder dizer: Vivi! Dei uma volta ao redor de mim mesma, desfiz malas e bagagens desnecessárias, tirei todo o fardo que puseram em cima dos meus ombros e fui feliz. Despudoradamente Feliz!!!


Este texto foi feito em homenagem a minha filha Danielle.

Queria!



Queria poder me reinventar, me reconstruir, buscar, nos escombros do que restou de nós dois, apenas o que de bom pudesse servir para edificar uma nova morada, onde a varanda da casa solidão, que tantas vezes acolheu-me em prantos, pudesse ser testemunha do encontro de um novo amor. Um novo amor, um amor novinho em folha, sem pedaços, nem partidas...
Ando querendo me reconstruir, e nesse processo, estou em busca do que sobrou da história de amor de nós dois.
São as saudades esquecidas que eu deixei adormecer no baú das minhas recordações.
Saudades que o tempo não destruiu, cenas em flashback de um sonho de amor, numa noite de verão.
São saudades de ternuras desfeitas, de desejos não realizados, de carinhos abortados a caminho do teu coração.
Ah! quanto de mim ficou perdido nesses destroços: a minha alegria menina, o meu olhar juvenil, o encantamento do primeiro amor e o desejo, ainda em flor.
Queria poder recuperar parte do que fui, para hoje, juntar ao que sou, e inteira poder me entregar a plenitude desse novo amor.

setembro 21, 2007

SOLIDÃO







Quanta solidão há em meu olhar, quando vejo que naquela rua ,por onde dobram esquinas, não mais verei surgir o teu vulto alegre e o teu caminhar altaneiro.


Quanta tristeza abrigo em mim ,quando vejo que por aquela rua , hoje quase nua, não mais sentirei a alegria de ver-te e o descompassar do meu coração.

Quanta saudade acalento, só pra dizer em forma de canção, que o meu amor por ti, qual rio que segue pro mar, só aumentou em proporção.

Quanta esperança procura espaço dentro de mim, tentando de todas as formas evitar a agonia de um amor sempre em partidas.

Quanta alegria e quanta pressa em meu olhar, que varre esquinas e percorre ruas, achando longe, não te achar.

setembro 20, 2007

Talvez















Não sei mais brincar com as palavras! De repente, em minha vida, o sol se pôs no horizonte antes cheio de promessas – você tardou e o anoitecer prenunciou uma manhã cinzenta de céu e de lágrimas...

O que fazer agora com os sonhos recolhidos da primavera da minha juventude e trazidos à tona apenas pelo compromisso de um reencontro? Preciso me situar entre o sonho, a fantasia, o desejo e essa teimosa realidade que finca os meus pés no chão e desvia os meus olhos das estrelas aonde ando buscando você em noites de solitários devaneios.

Preciso estender a minha colcha de retalhos, esse quadro de momentos e histórias de vida que compõe o cenário de uma existência inteira. Recolher sonhos, essa é a palavra de ordem! Mas o que fazer com o coração cheio de alegria, em expectativa, transbordando felicidade através do olhar? Resgatar o “tempo que adormece as paixões”, esse, sim, é o único comando que o meu coração pedinte e carente ousa obedecer.

Ando pesquisando no passado pedaços de mim que ocultei de você. Retalhos de uma história de amor, que ficou ao sabor dos ventos e que hoje tal e qual um redemoinho, vêm em minha direção, provocando um turbilhão de sentimentos contraditórios. Entre o sim e o não, eu me permito o talvez.